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O imaginário sironeano


iron não é um pintor de cores folclóricas, nem de amenas paisagens, de frutas exóticas ou de figuras decorativas que evoquem paragens nostalgicamentes rurais.

Ele realiza uma pintura onde aparecem figuras, que se mesclam de maneira impressionante - seres humanos e animais ( macacos, antas, tamanduás, onças ou serpentes) aparecem justapostos, em sua linguagem particular que muitas vezes denuncia, chama a nossa atenção para a crueldade do ser humano, em suas relações de poder, com seus semelhantes e com a natureza.

É possível que seja isso, essa sua visão de um imaginário rico onde aflora uma constante citação do ambiente, da natureza de sua região e dos animais, almagamados à sugestão de sentimentos humanos por alegorias ou simbolismos, que faça a pintura de Siron Franco, vigorosa e original para ser percebida e reconhecida universalmente.

Siron Franco criou um um universo pictórico próprio, onde suas telas e propostas estéticas são imediatamente identificadas como sironeanas, na palavra do poeta e crítico de arte Ferreira Gullar. E esse fato nos é revelado não apenas pela temática e sim pela notável qualidade de sua pintura, pelo uso dos planos, pelo equilíbrio e pela estruturação formal onde está presente um ideal de beleza sugerido pelo artista e no qual suas figuras transitam em busca de seus interlocutores.

É importante reaver um valor da pintura de Siron - quando suas figuras surgem aterrorizantes e assustadoramente magnéticas em sua verdade que nos parece desconhecida, elas não são tão bizarras ou distantes como pareceriam à primeira vista, mas revelam-se logo em seguida estranhamente familiares ao nosso universo individual de pesadelos e ao inferno coletivo e misterioso de nossa inconsciência.

Assim a pintura de Siron Franco nos toca profundamente. E cria pontos de ligação com uma realidade mais ampla, que muitas vezes deixamos de ver, afogados pelo cotidiano, pelo entretenimento ou pelo cansaço natural. Essa pintura nos faz refletir sobre nossa existência e sobre nosso próprio desempenho frente a coisas que são comuns a todos, a natureza, a preservação das espécies e do meio ambiente, a violência, a educação e a cultura.

Esse é um bom motivo para uma atividade como pintar e certamente um bom papel para um indivíduo enquanto artista.

Siron Franco faz parte de um grupo de artistas iconoclastas e profundamente individuais, que não se filiam a escolas ou tampouco se lhes atribuem lugar em movimentos artísticos coletivos.

Como o cáustico Groz, que fez a ácida crônica da Alemanha nazista em suas gravuras expressionistas; como Francis Bacon, talvez o maior pintor inglês deste século, com suas parábolas de solidão; como José Luis Cuevas, o extraordinário desenhista e gravador mexicano que introduziu em sua obra, uma espécie de realismo mágico com a presença dos elementos dos ritos populares, a morte, os esqueletos e as caveiras; o artista brasileiro do interior e mais do nunca hoje, do mundo, também tem sua trajetória e poética próprias.

Siron Franco não conta histórias em suas telas, ele faz aflorar o lado negro, os fantasmas e terrores que estão dentro de cada um de nós. Para tanto não usa literatura ou um sentido de ilustração, usa talento, fina sensibilidade e uma sinceridade que nos comove e causa surpresa.












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