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Pintor solitário - sólido indivíduo


que faz um indivíduo desejar ser pintor, estabelecer uma linguagem de comunicação direcionada a outras pessoas, propor suas próprias descobertas estéticas ou de valores artísticos, revesti-las com os ensinamentos das descobertas de diferentes artistas, alguns contemporâneos seus, do lugar onde habita ou de paragens ainda mais distantes, incumbindo-se de uma tarefa inventada, que não é uma necessidade primeira, primitiva ou mesmo essencial à sobrevivência das pessoas, que traz apelos muito mais precisos, eruditos, elitistas até, por se tratar de uma comunicação individualizada, uma pessoa falando diretamente a uma outra pessoa?

O que faz um pintor, artista indivíduo, pensador solitário, munir-se de pincéis, espátulas, tintas, pigmentos, solventes, ceras, tecidos, objetos, colas, e trabalhar concentrado numa tarefa exigente de tempo e ao revés da fórmula serena de outras profissões que realizam tarefas mensuráveis em salários ou remunerações precisas, embrenhar-se numa aventura de imaginação pura, com suas fantasias, com seus fantasmas ou suas reminicências?

Ou com invenções de figuras, cenários ou planos coloridos povoados de imagens que nunca ninguém viu ou sequer poderia supor possíveis?

Quem as desejaria? Quem gostaria de vê-las ou o que isso poderia significar para as pessoas?

Essas são perguntas que Thomaz Ianelli não se faz.

Regido por sua necessidade interior de pintar, de se comunicar com os outros, de criar... como um deus de seu bairro, um universo próprio, povoa-os com seus personagens, dá-lhes vida e graça, inventa-lhes as cores e os recolhe em momentos secretos, de seus diálogos no idioma da pintura, aquele que todos entendem e não é sonoro ou grandiloqüente. É simples e dificilmente apenas...pintura.

Hoje se discute muito a necessidade da arte para a humanidade. O que ela ainda significaria entre tantos apelos e exigências cotidianas, lado a lado com as diversões ou com os entretenimentos?

Por que alguém ainda pintaria? Um computador não faria melhor as milhares de combinações matemáticas dos diferentes tons e das cores, que impressas, brilhantes, aos magotes não supririam, ancoradas na redundância confortável e pseudo-renovadora, uma necessidade coletiva de imagens descartáveis?

Um pintor como Thomaz Ianelli, absorto em seu próprio caminho, faz o seu trabalho e o reinventa, encantado todos os dias. Realiza desse modo um sonho e o oferece, indivíduo único e cheio de incertezas, a um outro observador, tão interessado quanto ele nesse espaço estranho e raro, curioso dessas fantasmagorias que, efetivamente resgatam, prazeirosamente, o sentido de se estar vivos, o mistério de uma realidade impalpável e veraz, que é essa impressionante e finissima lâmina do tempo, o presente.

É bom ver pintura, boa pintura e Thomaz sabe o que isso significa.











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