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Minha relação com os
Yanomami , fio condutor de minha trajetória e de
vida, é essencialmente afetiva. Este sentimento,
através dos tempos, me levou a compartilhar meu tempo
de fotógrafa com trabalhos em defesa dos direitos
territoriais e de sobrevivência dos Yanomami. Um
trabalho árduo e que requer muita
perseverança.
Agora, depois de duas décadas de trabalho quase
exclusivo na defesa de seus direitos, sinto a necessidade de
me abstrair e sintetizar este trabalho fotográfico
que vivenciei tão intensamente nos anos 70 e 80.
Para a XXIV Bienal de São Paulo, a cujos
organizadores sou grata pelo convite, apresento uma
instalação de 21 imagens montadas em blocos
(algumas destas fotos neste site), construída para
uma sala especial dedicada ao meu trabalho dos Yanomami.
Ligeiramente curvos, os blocos criam três
círculos, um fechando-se sobre o outro.
Tal construção é uma
idealização de uma casa Yanomami,
simbolicamente indestrutível, que a exemplo dos
grandes monumentos pré-históricos quer ser
eterna e sobreviver como marco da história da
humanidade.
Os blocos alvos são recobertos por imagens de cor
sépia escura com fortes intervenções de
luz, concentrando a atenção nos olhares e
gestos retratados no meu trabalho. A luz e a sombra
são elementos essenciais da fotografia. Minha
intenção é dialogar através da
luz, muitas vezes manipulada nestas imagens. Elas buscam
colocar em evidência uma cultura milenar que sobrevive
em meio a um mundo caótico que se abre para um novo
milênio, mas também interpelar com a dor e a
inquietação pelo futuro incerto do qual os
Yanomami também não escapam. A dor nasceu do
contato recente, malsucedido, com a sociedade que os
circunda, ameaça, devora e os deixa na sombra das
luzes.
Claudia
Andujar
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