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Gilberto Dimenstein |
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São gritos provocados pela surdez - surdez de uma sociedade que não se dispõe a ouvir. Tão fácil perceber os movimentos desses rostos imóveis. São tão reais, quase palpáveis, que parecem escapar dessas lonas de pano como num sonho. Tão fácil ver cravados nessas faces os "nãos" acumulados. Não ao direito de gritar, de se ouvir. Ouviram e calaram. Calaram não porque consentissem. Mas porque queriam apenas sobreviver. Agora, aqui, eles são o centro. Não produzem medo ou indiferença. Ocupam o espaço com a beleza de seus olhos, a harmonia desordenada de seus berros, a rebeldia de suas faces luminosas com o prazer de extravazar. Tão fácil transformar gritos em melodia, Transformar sons em sonhos. Tão fácil perceber a melodia do ruído de liberdade quando afinamos nossos ouvidos para quem grita e está do nosso lado. Tão fácil espantarmos a surdez abrindo nossa percepção a uma nova harmonia. Na sua rebeldia estética, eles se fazem ouvir para transmitir um sonho. O sonho de fazerem ruas eternamente de meninos. Nunca meninos de rua. Colaboração: Projeto Quixote Fundação Projeto Travessia Viva o Centro Pró-Centro - Programa de Valorização do Centro Prefeitura de São Paulo MIS - Museu da Imagem e do Som SP Secretaria de Estado da Cultura Paparazzi Arte Fotográfica Projeto Difusão Animae Realização: Sesc São Paulo Patrocínio: BankBoston |
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