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Um retrato na galeria dos grandes mestres

Há no Brasil um período que certamente foi o grande precursor da fotografia autoral no País. Os anos 50 e os fotoclubes, quer em São Paulo, quer em todo o País, introduziram e foram os responsáveis pelo surgimento de vários fotógrafos, que no decorrer do tempo se consagraram com a sua contribuição definitiva à fotografia contemporânea brasileira. Não podemos esquecer a revista IRIS e todo o panorama e intercâmbio que os fotoclubes propiciaram.

A composição, luz, assim como as solarizações, marcam o início da fotografia com olhar e construção autoral. O fotoclube como centro de reflexão, aprendizado e discussão.

Geraldo de Barros, José Oiticica Filho, Thomaz Farkas, Chico Albuquerque e German Lorca são alguns dos nomes desta época que, certamente merecem cada vez mais um estudo atento.

German Lorca inicia o rigor e a maestria de um brilhante autodidata. Paralelamente às fotos pessoais, muitas das quais participaram de salões, concursos, etc., o fotógrafo assume consagrada carreira profissional enquanto fotógrafo de estúdio e de publicidade (onde também não se pode esquecer a figura de Sérgio Jorge).

Hoje, aos 75 anos, Lorca conserva o olhar inquieto, sempre procurando uma nova perspectiva, um novo percurso, um novo desafio. Enquanto seus filhos viraram cientistas no tratamento mais elaborado e sofisticado de imagens digitais, o velho Lorca continua um "enfant terrible", um poeta da vida e das imagens. Incansável, irriquieto, percorre agora com suas câmeras o Parque Ibirapuera numa verdadeira maratona de prazer e de lazer.

Suas imagens atestam um impecável domínio técnico, aliado à estética da descoberta e construção da imagem.

O tempo está ao seu lado. Sábio e conhecedor, a história da fotografia brasileira contemporânea há muito reserva o seu retrato na galeria dos grandes mestres.

Orlando Azevedo

Curador da II Bienal Internacional de Fotografia
Cidade de Curitiba




Daqui para a frente

German Lorca não foi educado para ser artista ou mesmo fotógrafo. Para quem cresceu no proletário bairro paulistano do Brás, seguiu por caminho seguro: trabalhou num escritório de contabilidade. Só depois foi para a fotografia. E logo se revelou no que havia de mais avançado, e aí, por luzes incertas: o modernismo.

Se a literatura e a pintura iniciaram o modernismo até antes da Semana de 22, a arquitetura só o teve em 1930 e a fotografia já no final dos anos 40, quando Lorca começou.

O que fez esse jovem traçar tal trajetória? A sua inquietude é uma forma de vida até hoje, esse enérgico e surpreendente "menino" carrega uma postura de quem ainda tem tudo para fazer. É uma curiosidade quase infantil, uma disposição de esportista, o vislumbramento de quem está em plena criação e um espírito empreendedor que, dentro da profissão de fotógrafo poucos tiveram.

Se por um lado, Lorca conseguiu desenvolver as fotografias publicitária e industrial, por outro lado não deixou nunca a foto de autor. Percebeu com o tempo, que o ensaio ou a temática eram importantes. Fotografou centenas ou milhares de situações isoladas, mas também desenvolveu assuntos em que o conceito e o discurso são valiosos. Com isso, torna-se um fotógrafo que acompanhou o tempo de sua laboriosa e longa vida.

Ricardo Ohtake

Arquiteto e designer gráfico





Veja também as fotos de German Lorca
no site do MASP, fotógrafo selecionado na 7ª Edição
da Coleção Pirelli MASP de Fotografias:










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