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Reconstrução

uando um fotógrafo, como Marcos Magaldi, examina os
temas de sua escolha e os expõe - seja como
foto-gravuras, foto-aguadas ou
foto-estábiles/esculturas, ele descobre uma linguagem
fotográfica autônoma, pessoal e literalmente a
divide com todos os que se defrontam com suas obras.
Existe no processo de fragmentação um
rompimento deliberado das imagens, que são
clássicos da cultura ocidental ( torsos, retratos,
naturezas-mortas) - e o fotógrafo propõe
conceitualmente uma espécie de
reconstrução. Os temas, ao contrário da
sua leitura convencional, deixam de ser comportados,
estáticos ou até previsivelmente dominados.
Isso porque, em frente a cada observador, essas fotografias
se renovam, refazem-se diferentemente e tornam-se
valorizadas por descobertas individuais, orientadas pelo
momento subjetivo de cada um.
Nessa reconstrução afirma-se o processo
cultural, ao solicitar a atividade intelectual ou
sensível de tantos que vêem as obras, com o
olhar especializado e agora participante.
São instigantes as fotografias recortadas ou
investidas de uma tridimensionalidade que surpreende, porque
vão buscar outros papéis que não lhes
tinham sido atribuídos por princípio ou
conceito. Trazem leituras sintéticas, elegantes ou
secretas, dependendo da mestria, verdadeiramente
caleidoscópica do fotógrafo, que realiza suas
criações em árduo trabalho de
laboratório.
Mais uma vez, temos a valia dos processos originais da
fotografia, o conhecimento das técnicas, dos
componentes químicos, a manufatura atenta, os tempos
variáveis de exposição, refazendo os
métodos do início da história da
retenção das imagens fotográficas.
Os elementos estão ali : o laboratório, as
possibilidades da química, a
experimentação de caminhos ainda não
desvendados, a utilização de máscaras,
de pincéis rústicos e a luz.
O fotógrafo junta a eles um erudito processo que
incorpora outras linguagens :
- a da gravura, ao modificar o conceito de
reprodução a partir do negativo, para
cópias únicas, fruto de procedimentos
artesanais.
- a da aguada, que à maneira das aquarelas, exige
precisão e quantidades estritas dos reagentes, para
produzir imagens onde o acerto dependerá desses
fatores fugazes.
- a da escultura, que propõe a tridimensionalidade,
os espaços, as ausências reconstituídas
com a imaginação, o sutil movimento ao sabor
do equilíbrio.
Esse é o trabalho de Marcos Magaldi, que se embrenha
nessa fatura, produzindo obras de múltiplas
observações, objetos exigentes de nosso
olhar.
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