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Coleção de
Existências

uma área de três hectares à beira da
Lagoa das Malvas, um dos poucos redutos de Mata
Atlântica que ainda restam ao Norte da planície
costeira do Rio Grande do Sul, montei uma estrutura simples
composta de um estúdio, um laboratório, uma
casa e um galpão. As fotos aqui expostas, mostram o
que foi encontrado dentro dos limites dessa pequena
propriedade rural, onde tenho vivido e trabalhado desde
1992.
A idéia de fotografar mariposas originou-se da
observação desses insetos quando
atraídos pelas luzes da minha varanda. Movido pela
curiosidade, passei a espreitá-los, noite após
noite, surpreendendo-me sempre com cada nova espécie
que aquele fluxo incessante de seres exibia. Surgiu
então o desejo de realizar um trabalho que espelhasse
a infinita capacidade de diversificação da
Natureza. Este é moto da série Mariposas. E a
ênfase na diversidade, não só das
mariposas, portanto, mas de tudo aquilo que é vivo,
é dada pela presença das cascas de
árvore, que disputam a atenção do
observador por serem tão ricas e variadas quanto os
próprios animais que nelas repousam. A série
Plano Branco é uma espécie de
inventário dos estados transitórios de um
ambiente agreste em constante processo de
renovação. O branco que serve de fundo para as
composições (feitas exclusivamente com
matéria morta) aparece como um campo de
interação de eventos ou processos, um
vácuo pleno de porvires. A relação dele
com os objetos dispostos dentro de uma zona central
retangular acentua o enquadramento da câmara e, como
conseqüência, a intermediação do
fotógrafo. Dessa forma, esses painéis
representam a visão subjetiva de um espectador
impressionado pelos ritmos e pela exuberância dos
ciclos de vida e de morte que são a própria
essência dos ambientes selvagens. Mas, quer fosse
explicitando o que já lá estava, quer o que
lá poderia estar, a intenção era uma
só: colecionar tudo aquilo que de raro e precioso a
forma viva oferecia. E tais vidas pediam um refúgio,
uma toca, onde estivesem prontas para provocar, em quem as
descobrisse, a lúdica sensação de
surpresa pelo que havia de inusitado, ou de
implausível, em suas até então ocultas
existências.
Manuel da Costa
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