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Luzes da
cidade

oi caminhando pelas ruas de São Paulo que realizei as
fotografias deste livro. Não tive, no entanto, a
intenção de fazer um livro sobre a cidade,
mas, simplesmente, buscar nas ruas imagens da vida e do
cotidiano urbano, temas que tanto me atraem. Todas essas
imagens, com exceção de algumas poucas, muito
queridas, realizadas tempos atrás - e que não
queria que ficassem de fora -, fazem parte de três
projetos recentes, independentes entre si, mas que se
entrelaçam e se superpõem.
O primeiro projeto foi realizado com o apoio de uma bolsa
Vitae. Tinha como objetivo fotografar a cidade a partir de
certos pontos de vista, de forma que pudéssemos
chamar as imagens obtidas de "paisagens", isto é,
cenas vistas de uma certa distância. Isso porque,
tendo já fotografado diversas cidades, registrando os
edifícios e as pessoas quase sempre do ponto de vista
do pedestre, caminhando rés do chão, timha
certa curiosidade em retomar o tema a partir de outros
pontos de observação, postando-me em locais
distantes e subindo até o alto de alguns
edifícios que considerava estratégicos, para
então visualizar o panorama da cidade.
O segundo projeto é parte de minha tese de doutorado
A fotografia e a arquitetura, apresentada na Faculdade de
Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.
Após um período mais ou menos longo
fotografando aquelas paisagens distantes, estava novamente
querendo me aproximar das ruas e das pessoas, pensando dessa
maneira, acrescentar às imagens paisagísticas
elementos mais vivos e vibrantes da cidade.
O terceiro projeto é a extensão e a
consolidação dos dois anteriores. Com o apoio
da DBA, editora do livro Luzes da Cidade, pude dar
seqüência a meu trabalho, retomando temas,
aparando arestas e sobretudo descobrindo novas
possibilidades, tendo em vista a reunião de todas as
imagens obtidas ao longo dos três projetos em uma
só publicação.
Há ainda nesse livro algumas fotografias que
pertencem a um ensaio - uma oportunidade muito especial -
realizado para a revista Arquitetura e
Construção, sobre a rua Florêncio de
Abreu.
Na verdade, todos esses trabalhos são, no limite de
minha capacidade, aquilo que imagino saber fazer melhor.
Nada mais me exige tanto e a nada mais dedico tanta energia,
interesse e entusiasmo. Iniciar um trabalho, partir com
minhas câmeras pela cidade, atravessando as ruas,
mirando as perspectivas, acompanhando os passos das pessoas
e fotografando-as nesse cenário, provocam em mim uma
agradável sensação de aventura e de
descoberta.
Percebo claramente nessas ocasiões que ser
fotógrafo satisfaz-me plenamente.
Cristiano Mascaro
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