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Visão
Carnal
"Dama.
Todas las noches baja al pozo
y a la mañana reaparece
con un nuevo reptil entre los brazos." - Octavio Paz

uando Branca de Oliveira, uma amiga do fotógrafo,
apresentou a Pierre Yves Refalo um pequeno texto que
descreve uma relação apaixonada e
temerária (escrito pelo poeta argentino Oliverio
Girondo), este o utilizou como fagulha para detonar um
processo criativo fotográfico bastante interessante,
que contou com a colaboração da pesquisadora
que localizara a referência literária.
O fotógrafo realizou então esse ensaio com
cerca de 50 obras (no final dos anos 80) onde desenvolveu
pesquisas de texturas, cores, técnicas mistas e uso
da química em laboratório, com a finalidade de
alcançar resultados, inéditos. Pierre
antecipou assim as aventuras que somente agora
começam a ser tentadas com a
utilização, aperfeiçoada, da tecnologia
de informática aplicada à fotografia.
Sua sensibilidade de artista fotógrafo o fez compor
uma leitura de imagens onde a seqüência revela um
estado de envolvimento entre dois seres humanos, o encontro,
a paixão - desenfreada pelo instinto - e o
afastamento, o esgotamento e o abandono.
O que chama a atenção, de maneira exemplar, o
que prende o olhar e o magnetiza, são as
características dessas fotografias, que apresentam
nuances, disfarces, sugestões mais ou menos
explicitadas, ao lado da similitude cromática, de uma
intrigante monotonia tão inerente ao tema como
à própria Natureza, destituída de
ternura e de falsificadas edulcorações
românticas ou estéticas.
Existe ali o que um pensador francês chamaria de
caráter "charnel" ou carnal, que surpreende pela
improvável delicadeza fusionada a uma inesperada
crueza.
É esse estado um tanto febril, essa vertigem
revelada, essa previsilibidade quase nauseante que nos
dá a verdadeira força desse ensaio, que
não faz concessões, não se permite
mentiras decorativas e, coerente com sua economia de cores e
efeitos, espalha as indagações do
fotógrafo.
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