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A Permanência do Efêmero
Texto de Sérgio Faraco
Marco Aurélio introduz uma de suas Meditações
recordando que tudo desaparece muito rapidamente, "no universo
os corpos e no tempo a lembrança deles".
Desaparecem os homens e as casas, as formigas
e os formigueiros, os elefantes e as florestas, e desaparece sobretudo
a memória daquilo que um dia existiu, numa paradoxal comprovação
de que, nesse quadro que chamamos vida e em todas as molduras que
lhe aplica a mão do homem, só a efemeridade é permanente.
Se assim é com tudo, o que dizer das mais
humildes estruturas que essa mão fabrica ?
Leopoldo Plentz capta justamente a poesia
desesperada dessas pequenas coisas que, por sua fragilidade, logo
morrerão, sem que delas remanesça o mais pálido retrato, e que,
no entanto, são notas comovedoras do que fizemos nós, em nosso delírio
cotidiano e anônimo, para conquistar nossa impossível eternidade.
"Pensa sempre na rapidez com que as coisas
passam e desparecem", insiste o sábio imperador, "tanto
as que existem como as que se produzem". Leopoldo Plentz reflete
sobre elas, e as salva, e inverte o paradoxo, e faz do efêmero um
valor permanente - com essa ternura, com essa emoção, com essa doçura
e essa arte luminosa que, agora, temos o privilégio de compartilhar.
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