Barra Universo Online


Apoio:




As virtudes da fotografia

Num sonho um amigo vinha de longe para me ver,
e no sonho eu lhe perguntei: você chegou por
fotografia ou de trem?
Todas as fotografias são uma forma de transporte
e a expressão de uma ausência.

John Berger




ecidi aprender fotografia numa época em que vitais mudanças ocorriam em minha vida. Tinha 44 anos e uma grande vontade de buscar através das lentes um novo enfoque.

Percebi o quanto era essencial sair a procura de territórios que me eram desconhecidos, desafiada a "ver", no sentido que Bill Brandt colocou, "intensamente, além do comum, com a receptividade da criança diante do mundo, ou do viajante que penetra num país estranho".

É no preto e branco e na gama de tons intercalados, que encontro a melhor forma de exprimir uma certa dramaticidade inerente ao meu trabalho, seja nos retratos de pessoas, nas cenas cotidianas, ou nas naturezas mortas.

Nesse contexto, busco imagens que sugiram ou mistério, poesia, ou que perturbem, como se cada foto dissesse: paremos aqui, não houve antes nem depois, decifra-me se quiseres, não te devorarei.

Continuo achando que uma das virtudes mais perturbadoras da fotografia é que a imagem não pode dizer tudo: fica delimitada pelo espaço que lhe é reservado, atrelada a uma fração do tempo que já é outro, modificada pela percepção e leitura que cada um faz ao olhá-la.

Defini-la seria mais uma clausura.

Lily Sverner



Veja também as fotos de Lily Sverner
no site do MASP, fotógrafa selecionada na 7ª Edição
da Coleção Pirelli MASP de Fotografias:









Apoio:


Animae

Barra Universo Online