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EPIGRAMMA IV.42
De Marcial, poeta romano (nascido na Espanha) no século I
Si quis forte mihi possit praestare roganti,
Audi, quem puerum, Flacce, rogare velim.
Niliacis primum puer hic nascatur in oris:
Nequitias tellus scit dare nulla magis.
Sit nive candidior: namque in Mareotide fusca
Pulchrior est, quanto rarior, iste color.
Lumina sideribus certent mollesque flagellent
Colla comae: tortas non amo, Flacce, comas.
Frons brevis atque modus breviter sit naribus uncis,
Paestanis rubeant aemula labra rosis.
Saepe et nolentem cogat nolitque volentem,
Liberior domino saepe sit ille suo;
Et timeat pueros, excludat saepe puellas:
Vir reliquis, uni sit puer ille mihi.
'Iam scio, nec fallis: nam me quoque iudice verum est.
Talis erat' dices 'noster Amazonicus.'
A seguir, tradução para o português (por Antonio Cicero)
EPIGRAMA IV.42
Se acaso pudessem dar-me o que desejo,
ouve que garoto, Flaccus, eu queria.
Primeiro, um natural das margens do Nilo:
mais malícia terra alguma sabe dar.
Que seja mais branco que a neve: ao Mareótis*
moreno é tão mais bela quanto mais rara
essa cor. Seus olhos ofusquem os astros
e seus cabelos macios chicoteiem-lhe
o pescoço: odeio cabelos frisados.
Tenha breve a testa, do tamanho em suma
do nariz aquilino; e os lábios vermelhos
feito as rosas de Pesto. E às vezes eu
não queira e ele me force, e às vezes, querente
eu, ele resista: mais livre em geral
que o dono. E tema os garotos e afaste
em geral as meninas; e para os outros
seja homem e só para mim garoto.
Já sei, não te enganas; também julgo o mesmo:
Assim era, dizes, o nosso Amazônico.
* Lago junto a Alexandria.
     
     
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