Cidade Escola Aprendiz 02 de fevereiro de 2004

28-07-04   Uma cidade na mesa de um bar

27-07-04   Os mestres de Arthur Pugliese

26-07-04   Está em andamento uma rebelião sem volta

21-07-04   O tempo não pára

19-07-04   Estão julgando corretamente Marta Suplicy?

14-07-04   Do Brás para o mundo

07-07-04   Parto musical

05-07-04   A escravidão está na moda

29-06-04   A loja-laboratório de Adriana Bozon

28-06-04   Quem vai salvar São Paulo?

23-06-04   Paixão em três rodas

21-06-04   Mãe de UTI

16-06-04   Geração Segundo Andar

14-06-04   O que temos a aprender com os gays

09-06-04   À moda paulistana

07-06-04   Se Maluf não acabou, São Paulo acabou

03-06-04   Um som estrangeiro em Sampa

01-06-04   Os professores precisam ser salvos

31-05-04   Professor sabe-nada

26-05-04   "Cinema Paradiso"

25-05-04   A escola de invenções de Ziraldo

24-05-04   Marta é vítima do machismo ou da futilidade?

19-05-04   A menina do largo do Arouche

18-05-04   Como escolher um prefeito

17-05-04   Quem quer "ficar" com São Paulo?

12-05-04   ONG chique

11-05-04   Lula e a bebida

10-05-04   O melhor presente de Lula no Dia das Mães

05-05-04   A revanche da derrota de Nápoles

04-05-04   Haja paciência

03-05-04   O primeiro emprego a gente esquece

26-04-04   Professor-doutor desocupado

22-04-04   Se essa rua fosse deles

19-04-04   Repetência é coisa de pobre

14-04-04   "Pé de Moleque"

13-04-04   Lula acha que a culpa é da vítima

12-04-04   Soltem os animais

07-04-04   O prazer de derrubar grades

06-04-04   Escola de diretores: boa idéia do governo Lula

05-04-04   Uma notável aula de humildade

31-03-04   Paisagem mutilada

30-03-04   Lula está sofrendo de Brasilite?

29-03-04   Não era preconceito. Infelizmente

24-03-04   O mau aluno que virou mestre

23-03-04   O maravilhoso primeiro emprego do PT

22-03-04   Vida, leva eu

17-03-04   Vidas no papel

16-03-04   Regina Duarte estava mesmo errada?

15-03-04   As valiosas lições de dona Lindu, mãe de Lula

10-03-04   Mistérios da praça Benedito Calixto

09-03-04   Ignorância ajuda Lula e o PT

08-03-04   Você, caro leitor, faz parte do Clube dos 20%

03-03-04   Conto Pirandelliano

02-03-04   Trabalhadores do bingo têm direito a aviso prévio

01-03-04   Por que o Brasil não explode?

26-02-04   O menino ficou sem as lagostas

25-02-04   Uma solução chamada bolsa-universidade

24-02-04   Lula está tentando a sorte no bingo

18-02-04   O carioca que traduz São Paulo

17-02-04   As lições de Cristovam Buarque

16-02-04   O escândalo do bicho

11-02-04   Uma profissão sem nome

10-02-04   Fome zero, ladroagem 100

09-02-04   A luz no fim do túnel é uma chama de gás?

04-02-04   Vila vertical

03-02-04   A irresistível oferta dos traficantes

02-02-04   Como medir se um candidato a prefeito é sério

29-01-04   A identidade de Jorge Cordeiro

28-01-04   O assassinato das cerejeiras

26-01-04   Meu inesquecível janeiro em São Paulo

23-01-04   Erro de Cristovam Buarque foi a paixão

21-01-04   Expedição Gepp e Maia

19-01-04   Essa crise é uma asneira

14-01-04   Irmão de rua

13-01-04   Quanta bobagem

12-01-04   O futuro de uma cidade está escrito nas calçadas

07-01-04   Ela só queria andar de bicicleta

06-01-04   Deu no "The New York Times"

05-01-04   Lições da rua

26-12-03   Lula dá aulas para o Brasil

22-12-03   A verdadeira herança maldita

16-12-03   O PT está certo

15-12-03   Por que a goleada de Lula é um engano

10-12-03   Kart-escola

08-12-03   O futuro da educação está no hospital

01-12-03   Bom aluno não leva vestibular a sério

17-11-03   Estamos nos iludindo. Infelizmente

09-11-03   A geração dos filhos únicos

03-11-03   O direito de brincar

19-10-03   Capital de São Paulo é o Brasil

13-10-03   A geografia do medo

06-10-03   Uma universitária na cadeia resume cem anos de Brasil

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Como medir se um candidato a prefeito é sério

Uma pesquisa comentada no caderno Sinapse, divulgada na última terça-feira, mostra que a violência se combate literalmente no berço. Em um livro intitulado "Fantasmas dos Berçários" (ainda não publicado no Brasil), são analisadas entrevistas com adolescentes dos Estados Unidos condenados por assassinato.

Quase todos eles foram vítimas, nos primeiros anos de vida, de algum tipo de violência e negligência.

Ou seja, nem toda vítima de abuso torna-se um marginal, mas quase todos os marginais, segundo a pesquisa, carregam um histórico traumático na infância.

Está nesse tipo de achado acadêmico a raiz de estudos realizados por economistas americanos revelando íntima relação entre criminalidade e aborto. Nos locais em que as mães pobres conseguem evitar a gravidez, indicam as estatísticas, o crime é menor.

O raciocínio, em poucas palavras, é o seguinte: a mãe que não tem condições de criar um filho, obrigada a sustentá-lo na marra e a contragosto, termina por danificar-lhe a auto-estima, jogando-o no risco da marginalidade. Sem contar o óbvio fato de que faltará a essa criança, além do acolhimento psicológico, estímulos educacionais, devido à carência de recursos.

Graças às novas técnicas de tomografia, sabe-se mais: a negligência provoca danos neurológicos, impedindo o desenvolvimento cerebral da criança, com resquícios pelo resto da vida.

É rigorosamente espantoso que esses dados científicos, divulgados há pelo menos dez anos, ainda não tenham entrado na agenda política brasileira. Prova disso é que o tema creche e pré-escola -vale dizer, a educação infantil- não faça parte das prioridades nacionais.

Em um país obcecado pelo combate à miséria, os candidatos a prefeito deveriam exibir, em detalhes, quanto e como pretendem melhorar a educação infantil. O que, é óbvio, aqui é raridade.

Temos uma combinação explosiva. As mães mais pobres continuam tendo muitos filhos, pela simples razão de que não existe planejamento familiar no país. Alguém já viu um presidente da República falar com seriedade sobre esse assunto? Por isso, não viu, muito menos, um programa sério para evitar gravidez indesejada.

Além do excesso de crianças em famílias pobres, há escassez de matrículas na rede de educação infantil. Vamos aos números: apenas 10% das crianças na faixa de zero a três anos freqüentam creches. Não é só: o que existe para os mais pobres é, muitas vezes, de péssima qualidade, com profissionais despreparados. A creche teria o papel de contrabalançar a ausência de estímulos da família, na qual, com freqüência, pai e mãe trabalham. Isso quando existe pai.

Educadores, psicólogos e assistentes sociais vêm tentando, quase desesperadamente, chamar a atenção dos políticos para a importância do investimento em educação infantil. Alertam para os danos provocados no aprendizado de uma criança relegada, sem ambientes estimulantes. Nenhum investimento (vamos repetir, nenhum) é mais relevante para combater a miséria -e, ao mesmo tempo, auxiliar no progresso escolar- do que o apoio à educação infantil.

Se tivéssemos todas as crianças de zero e seis anos matriculadas, com bolsas-escola para as mães, seria alcançado o sonho da fome zero. É caro, evidentemente. E, claro, também demora. Mas depende tanto do dinheiro quanto da maneira como o Brasil se imagina no futuro.

O problema é que somos vítimas da ignorância. E, como afirma o ditado: se você acha que educação sai caro, calcule quanto custa a ignorância.

PS - Como estamos entrando na sucessão municipal, segue aqui um dos critérios para a escolha de um candidato sério. Ele precisa dizer quanto vai gastar para melhorar a educação infantil, informando o número de creches a serem reformadas ou construídas, além dos programas de formação profissional. Já existem no país várias experiências de baixo custo e alta eficiência, algumas delas reconhecidas internacionalmente. É o caso de Caraguatatuba, litoral de São Paulo, onde se desenvolveram atitudes inovadoras, com resultados já medidos. Se o candidato não souber como pretende mudar a educação infantil, melhor mudar de candidato.