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01-06-04 Os professores precisam ser salvos
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05-05-04 A revanche da derrota de Nápoles
03-05-04 O primeiro emprego a gente esquece
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07-04-04 O prazer de derrubar grades
06-04-04 Escola de diretores: boa idéia do governo Lula
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24-03-04 O mau aluno que virou mestre
23-03-04 O maravilhoso primeiro emprego do PT
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15-03-04 As valiosas lições de dona Lindu, mãe de Lula
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01-03-04 Por que o Brasil não explode?
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25-02-04 Uma solução chamada bolsa-universidade
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06-01-04 Deu no "The New York Times"
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22-12-03 A verdadeira herança maldita
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01-12-03 Bom aluno não leva vestibular a sério
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09-11-03 A geração dos filhos únicos
19-10-03 Capital de São Paulo é o Brasil
06-10-03 Uma universitária na cadeia resume cem anos de Brasil
Uma solução chamada bolsa-universidade
Ao propor a estatização de vagas nos cursos
de faculdades privadas para facilitar o acesso de estudantes
mais pobres ao ensino superior, o Ministério da Educação
terá a oportunidade de ampliar uma das mais interessantes
estratégias sociais já surgidas no país: a bolsa-universidade.
Em termos de engenharia de inclusão social, a bolsa-universidade
está para o ensino superior como a bolsa-escola está para
o ensino fundamental. Ainda pouco conhecida, a experiência,
desenvolvida em São Paulo e em Goiás, é daquelas propostas
que, pela simplicidade e pela eficiência, serão, mais
cedo ou mais tarde, disseminadas. Daí o interesse pela
experiência demonstrado pelo ministro Tarso Genro.
Para ter paga a sua mensalidade, o aluno é obrigado a
prestar serviços comunitários. Não está, portanto, recebendo
um favor, mas, sim, fazendo uma troca.
No caso de São Paulo, os custos da bolsa são repartidos
entre o governo estadual e a faculdade. A contrapartida
é trabalhar como educador em escolas públicas nos finais
de semana. O programa conta com a parceria da Unesco e
do Instituto Ayrton Senna na capacitação desses estudantes
para atuar nas escolas.
Acaba de ser divulgada uma avaliação externa da Unesp
(Universidade Estadual Paulista) sobre a experiência,
realizada em São Paulo, de abrir as escolas públicas nos
fins de semana - iniciativa que contou com a participação
de universitários. Caíram os índices de violência, os
furtos, as depredações e as pichações.
A participação dos universitários, na visão de pais, alunos
e professores, foi apontada como "ótima". Mesmo assim,
a avaliação dos técnicos é que muito ainda deve ser feito
na formação desses estudantes como agentes comunitários
de educação.
A experiência demonstrou ter, pelo menos, quatro óbvias
vantagens: 1) o aluno sem recursos adquire condições de
cursar uma faculdade; 2) o contato com um desafio concreto
amplia habilidades profissionais e até intelectuais; 3)
a escola pública ganha apoio de uma mão-de-obra qualificada;
4) o país produz mais gente com melhor formação educacional.
Em São Paulo, por exemplo, existe mais uma modalidade
de contrapartida, que ainda está em teste. Em troca da
bolsa, os estudantes são treinados para prestar serviço
de atendimento nos hospitais, acolhendo e encaminhando
os pacientes. Quem já teve o "privilégio" de ir a um hospital
público sabe como é tumultuado o atendimento.
Para tornar-se um modelo, o projeto ainda tem muito a
ser aperfeiçoado. Talvez o menor dos problemas seja o
financeiro. Não é fácil capacitar os jovens, nem sempre
as escolas estão preparadas para recebê-los e nem sempre
a comunidade está disposta a se envolver. Discutível é
também o fato de que muitas faculdades que recebem dinheiro
pela bolsa são ruins e acabam usufruindo de recursos públicos.
Apesar dos naturais problemas de algo que se inicia, esse
modelo de inclusão social é, até mesmo, uma alternativa
para o ensino superior público. Os leitores desta coluna
sabem que, há tempos, tenho apontado a injustiça da gratuidade
universitária para alunos de classe média e alta. A cobrança
de mensalidade é uma entre tantas alternativas de arrecadação
de recursos.
É, naturalmente, difícil cobrar as mensalidades. Uma saída
intermediária seria exigir a contrapartida em serviços
comunitários, o que ampliaria os programas de extensão
na universidade. Imagine quantas centenas de milhares
de estudantes serviriam em creches, asilos, favelas, hospitais,
escolas, cooperativas, museus, parques, centros de saúde.
Poucos debates são mais reveladores da verdadeira agenda
nacional -essa que é feita nas ruas, e não nos gabinetes-
do que as alternativas de acesso dos mais pobres ao ensino
superior. A contemporaneidade aqui está na combinação
do acesso mais democrático à universidade com a criação
de mecanismos institucionais que possibilitam aos indivíduos
o exercício de ações públicas capazes de tornar cada um
responsável não só pelo seu destino mas também pelo de
sua comunidade. Essa é, sem dúvida, uma resposta ao narcisismo
coletivo e à sua reverência exacerbada ao individualismo.
Quem sai mais beneficiado dessa experiência é o estudante.
Afinal, já se sabe que estudantes que se envolvem em desafios
têm mais propensão a desenvolver habilidades profissionais
- e o que as empresas querem hoje são pessoas capazes
de lidar com problemas concretos.
PS - Muitas vezes, o principal custo da corrupção
não é o financeiro, mas a energia que drena dos homens
públicos, que, quando poderiam estar discutindo temas
essenciais, são engolfados pelas questões éticas e morais.
O que estamos presenciando é mais um exemplo dessa crônica
dispersão. O caso Waldomiro Diniz abateu o governo e,
a considerar as denúncias que se avolumam, vai abatê-lo
ainda mais. O ministro da Educação, Tarso Genro, por exemplo,
está neste momento mais preocupado em se defender das
acusações (sem provas, diga-se) de que estaria envolvido
em arrecadações de fundos clandestinas durante as eleições
do que em implementar medidas que melhorem a universidade.