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Alunos
ensinam Internet em lar de idosos
Jovens
do Projeto Aprendiz, em São Paulo, resolveram fazer algo
em prol do idoso para não deixá-los de escanteio.
Com apoio de um grupo empresarial, adotaram os moradores do Lar
Golda Meir e, monitorados por profissionais da área de psicologia,
colocam um novo projeto em prática: a Old Net, que está
deixando a 3o idade em contato com o mundo de possibilidades que
é a Internet.
"Quem
era limitado, até pouco tempo, vai poder agora conhecer o
mundo todo", comenta Myrian Haber, vice-presidente de relações
humana e assuntos culturais do Lar Golda Meir.
A chance
de comunicar-se com o mundo também empolga os moradores do
Lar. "Já visitei o museu do Louvre e troquei e-mail
com os amigos e com minhas duas filhas que moram no Rio de Janeiro",
conta Margarita Shulmann, 76 anos. Para quem nem sempre pode ir
ao Masp (Museu de Arte de São Paulo), por causa da dificuldades
de locomoção, viajar virtualmente pelo mundo todo
já é uma grande conquista.
"É
uma troca de experiências, o aluno ensina o idoso com uma
nova tecnologia e aprende com a experiência de vida",
afirma Yael Sandberg, coordenadora pedagógica da Bialik,
um dos colégios envolvidos no Projeto. Os trabalhos comunitários
do Colégio já duram dois anos. Existe no currículo
uma matéria de Ética e Cidadania onde os alunos do
1O ano do Ensino Médio, desenvolvem trabalhos desse tipo
- voltados para pessoas carentes, portadores de necessidades especiais,
e agora os idosos.
Antes
do início da Old Net, os estudantes passaram por uma capacitação.
Através de reuniões e palestras, descobriram quais
eram as dificuldades e áreas de interesse de seus alunos
da 3o idade. Com jogos, auxílio na digitação,
diário de bordo e brincadeiras com o mouse, encontraram uma
boa forma de familiarizar o computador entre os idosos. "Eu
estou aprendendo a segurar o mouse, mas ele parece que tem vida
própria", brinca Dona Margarita.
Mas
não é a Intenet o único interesse da turma.
O contato com os jovens está criando um ambiente propício
para a troca de informações entre as experiências
de passado e as expectativas de futuro. Aos 79 anos, Bernardo Mejlachowicz,
é um bom exemplo de como a Old Net é bem mais do que
ensinar idosos a mexer com o mouse. Nascido na Polônia, enfrentou
guerra; vindo para o Brasil, virou mascate; viajou o mundo inteiro
conhecendo muita coisa sobre a cultura brasileira - fala bem das
modinhas caipiras, de Cartola, Carlos Cachaça, Ataulfo Alves,
do carnaval do Rio de Janeiro e das festinhas nos bondes de São
Paulo das décadas de 30 e 40. O mesmo acontece com Dona Margarida,
que sabe dar uma aula completa sobre a vida e obra de Picasso.
A iniciativa
começou a chamar atenção de outras organizações.
O Museu da Pessoa, uma espécie de museu virtual, enxergou
na proposta uma boa forma de capturar um novo acervo. Agora, está
capacitando os jovens para registrar as histórias dos idosos.
Assim, outras pessoas podem vê-las e escutá-las.
(Raquel
Souza e Tatiana Ivanovici)
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