"Quando penso na OldNet, logo me vem a mente: responsabilidade e prazer." - Ylana, 18                                                                                              "Na OldNet tenho a oportunidade de conhecer um computador e trabalhar com ele em inúmeras utilidades." - Jurema Vilhema, 77

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Jornal da Tarde
Domingo, 15 de outubro de 2000

Ninguém é velho demais para aprender a navegar

Rivka Isac, de 69 anos, visitou sua Bulgária pela Net e se emocionou de ver como Sofia está mudada. Ela é uma das aulas do projeto Oldnet, que leva os segredos da navegação virtual à terceira idade.

As gerações mais velhas também têm ficado de fora da Internet. Mais uma vez, a tecnologia tende a se tornar um implacável divisor de gerações, sem fazer nenhum esforço para incluir os mais velhos. Mas não precisa ser bem assim. Convencido de que a internet também pode ser um instrumento de informação, lazer e cidadania para a terceira idade, o Projeto Aprendiz, de São Paulo, está tentando eliminar essa distância. E tem conseguido provar de que, ao contrário de separar, a tecnologia pode aproximar gerações.

Semanalmente, 21 jovens de escolas públicas e particulares vão ao Lar Golda Meir para se encontrar com 12 idosos e idosas, residentes no local. Durante uma tarde, ajudam a turma a entender o funcionamento e utilidades do computador. “Cada idoso, com o auxílio do jovem, vai descobrindo em que a internet pode ser útil”, conta Yael Sandberg, uma das coordenadoras do projeto, chamado Oldnet. Dona Shana, por exemplo, decidiu procurar o e-mail de seus médicos no site da universidade. Dona Ana manda notícias por e-mail para sua bisneta, e dona Rivka pediu para escanear uma foto dela com o neto para enviá-la para família.

“Nosso objetivo não é tornar a internet em um passatempo e sim estimular a autonomia do idoso para que possa tirar proveito da nova tecnologia”, explica a coordenadora. Para quem pouco sai de casa, tem dificuldade de se locomover ou vive em uma instituição, a internet pode ser uma nova possibilidade de comunicação e ajudar a ampliar os horizontes do dia-a-dia.

A primeira turma do Oldnet começou em janeiro e segue junta até dezembro. No próximo ano, poderão usar a sala de computadores, enquanto novos alunos serão formados. Mais de 120 idosos e idosas já telefonaram querendo participar. “Muitos demonstram vontade em se aproximar e conviver com os mais jovens”, conta Yael.

A interação não é automática, mas logo satisfaz os dois lados. “Aos poucos, vamos entendendo o ritmo, o jeito e os interesses de cada um”, conta o estudante Jorge Eduardo Almeida Santos, de 17 anos. Ele já sabe, por exemplo, que a preferência de dona Rivka Isac é mandar cartões eletrônicos para amigos e parentes. Na aula de hoje, lhe mostrou um site com cartões musicais e juntos escolheram um desenho, a letra, o texto e colocaram o endereço. “Olha como ficou bonito...”, diz a aluna de 69 anos.

Com dois filhos, dois netos e três bisnetos, dona Rivka se diz sempre pronta para aprender algo novo. Através da Internet, ela visitou seu país natal, a Bulgária. "Pelas fotos, vi que a cidade de Sofia está bem diferente", comenta com os olhos saudosos. Ela nunca tinha navegado pela Internet e adorou o convite para fazer o curso. "É bom para nossa cabeça." (I.L.)

(I.L.)

 

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