Jornal da Tarde
Domingo, 15 de outubro de 2000
Ninguém é velho demais para aprender a navegar
Rivka
Isac, de 69 anos, visitou sua Bulgária pela Net e se emocionou
de ver como Sofia está mudada. Ela é uma das aulas
do projeto Oldnet, que leva os segredos da navegação
virtual à terceira idade.
As
gerações mais velhas também têm ficado
de fora da Internet. Mais uma vez, a tecnologia tende a se tornar
um implacável divisor de gerações, sem fazer
nenhum esforço para incluir os mais velhos. Mas não
precisa ser bem assim. Convencido de que a internet também
pode ser um instrumento de informação, lazer e cidadania
para a terceira idade, o Projeto Aprendiz, de São Paulo,
está tentando eliminar essa distância. E tem conseguido
provar de que, ao contrário de separar, a tecnologia pode
aproximar gerações.
Semanalmente,
21 jovens de escolas públicas e particulares vão ao
Lar Golda Meir para se encontrar com 12 idosos e idosas, residentes
no local. Durante uma tarde, ajudam a turma a entender o funcionamento
e utilidades do computador. Cada idoso, com o auxílio
do jovem, vai descobrindo em que a internet pode ser útil,
conta Yael Sandberg, uma das coordenadoras do projeto, chamado Oldnet.
Dona Shana, por exemplo, decidiu procurar o e-mail de seus médicos
no site da universidade. Dona Ana manda notícias por e-mail
para sua bisneta, e dona Rivka pediu para escanear uma foto dela
com o neto para enviá-la para família.
Nosso
objetivo não é tornar a internet em um passatempo
e sim estimular a autonomia do idoso para que possa tirar proveito
da nova tecnologia, explica a coordenadora. Para quem pouco
sai de casa, tem dificuldade de se locomover ou vive em uma instituição,
a internet pode ser uma nova possibilidade de comunicação
e ajudar a ampliar os horizontes do dia-a-dia.
A primeira
turma do Oldnet começou em janeiro e segue junta até
dezembro. No próximo ano, poderão usar a sala de computadores,
enquanto novos alunos serão formados. Mais de 120 idosos
e idosas já telefonaram querendo participar. Muitos
demonstram vontade em se aproximar e conviver com os mais jovens,
conta Yael.
A interação
não é automática, mas logo satisfaz os dois
lados. Aos poucos, vamos entendendo o ritmo, o jeito e os
interesses de cada um, conta o estudante Jorge Eduardo Almeida
Santos, de 17 anos. Ele já sabe, por exemplo, que a preferência
de dona Rivka Isac é mandar cartões eletrônicos
para amigos e parentes. Na aula de hoje, lhe mostrou um site com
cartões musicais e juntos escolheram um desenho, a letra,
o texto e colocaram o endereço. Olha como ficou bonito...,
diz a aluna de 69 anos.
Com
dois filhos, dois netos e três bisnetos, dona Rivka se diz
sempre pronta para aprender algo novo. Através da Internet,
ela visitou seu país natal, a Bulgária. "Pelas
fotos, vi que a cidade de Sofia está bem diferente",
comenta com os olhos saudosos. Ela nunca tinha navegado pela Internet
e adorou o convite para fazer o curso. "É bom para nossa
cabeça." (I.L.)
(I.L.)
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