"Quando penso na OldNet, logo me vem a mente: responsabilidade e prazer." - Ylana, 18                                                                                              "Na OldNet tenho a oportunidade de conhecer um computador e trabalhar com ele em inúmeras utilidades." - Jurema Vilhema, 77

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O Estado de São de Paulo
Sábado, 1 de julho de 2000
Suplemento Feminino - Internet para Maiores

Vovós querem navegar

Quem imaginaria a cena? Um grupo de adolescentes do segundo grau ensinado idosos a usar a internet.Isto é visto nas aulas que duas vezes por semana no Lar Golda Meier, numa iniciativa do Projeto Aprendiz

A idéia foi do presidente do Aprendiz, o jornalista Gilberto Dimenstein, que desejava um projeto que levasse a informática aos idosos e permitisse seu contato com os mais jovens. O local escolhido foi o Lar Golda Meier. Comprados os computadores, a psicóloga Yael Sandberg e a psiquiatra Hana Vaismans tocaram o projeto para frente, batizado como Oldnet.

Desde setembro, elas orientam as atividades com dois grupos no Lar. A metodologia e até os móveis usados são específicos para idosos. Além de ensinar a navegar pela Internet, o que se propõe é a interação entre jovens e idosos e, ainda, de estudantes de escolas públicas e particulares. Ao todo, oito colégios fazem parte do projeto, com três representantes cada.

"Queremos fazer com que o jovem exerça a cidadania e experimente uma postura ativa na comunidade", conta Yael. "Para os idosos, a atividade traz novas formas de relação com o mundo; eles saem mais jovens."

DESCOBRINDO A REDE - O casal Werner e Eva Dammann, ele de 79 anos e ela de 78, freqüentam as aulas há três semanas. Não moram no Lar, mas interessaram-se em ir uma vez por semana aprender a `mexer' na Internet. "Era completamente inocente", graceja Werner, sobre sua falta de experiência com a máquina. "Acho bonitas a paciência e a boa vontade do pessoal para ensinar o manuseio desses aparelhos; eles são bons professores."

Seu maior interesse é enviar mensagens eletrônicas aos amigos espalhados pelo mundo inteiro. Durante as aulas, ele já mandou e-mails para a filha e para um amigo. "É difícil, mas quero continuar", diz ele. "Eu sentia que precisava me inteirar nesse sistema dos computadores."

A polonesa Chana Guterman, que reside no Lar, é outra aluna do Oldnet. Ela aproveitou cada uma de suas quatro aulas para enviar mensagens eletrônicas à equipe do Hospital São Paulo, que a assistiu numa delicada operação no intestino, no final do ano passado. "Eles me trataram muito bem", lembra ela, que não só escreveu aos médicos, mas também para todo o time da enfermagem.

Como não tinha o endereço eletrônico dos médicos, Chana navegou em busca do website do hospital. Encontrado o local, foi só clicar no link para o e-mail. Fez tudo com o suporte técnico do seu `orientador'. "Eles podem entender mais de computadores, mas nós somos mais experientes", brinca.

"Corrigi um erro de português no texto dele".

NÓS E ELES - A aluna do segundo grau do Colégio Bandeirantes, Camila Rocha de Oliveira, de 15 anos, colabora com o projeto há dois meses. Por que vai até lá todas as semanas? "Sempre quis participar de um projeto social", justifica. Mas diz que toma lições com os mais velhos.

- Aprendemos muito com suas histórias. Dona Margherita, por exemplo, é muito cabeça; sempre está informada. Quando tiver a idade dela, quero ser igual.

Sobre as dificuldades do "magistério", o voluntário Danilo Guglielmo, 14 anos, estudante do Colégio Bialik, que já tinha experiência ensinando seu avô a usar o computador, diz que a paciência é virtude fundamental para quem ensina. "Às vezes, o que é óbvio para a gente, como o mouse, precisa ser muito bem explicado para eles", constata. "O mais legal é que aprendemos a conviver com pessoas que vivem em uma realidade diferente."

Além das aulas sobre a Internet e programas de correio eletrônico, os idosos também estão dando depoimentos sobre sua história de vida aos mesmos jovens.

Em um segundo momento, essas histórias farão parte do website do Museu da Pessoa.

Atualmente, 14 idosos estão freqüentando o curso, preenchendo as vagas disponíveis. Com uma lista de espera de cerca de cem pessoas, as coordenadoras pretendem ampliar o projeto e levá-lo a outros espaços no segundo semestre. Mas não querem apressar o processo: "É uma operação delicada, leva tempo".

Fabiana Caso

 

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