Clãs     Oi'ó      Hö      Gerações     Wa'i     Furação de orelha


Clãs

A aldeia de pimentel Barbosa é dividida em dois clãs diferentes o Öwawê ( que significa rio grande) e o Poreza'õno (girino, filho de sapo).
Esta diferenciação esta fisicamente disposta da seguinte maneira: as ocas da aldeia são em forma de meia lua, ao olhá-las, as famílias Poreza'õnos estão do lado direito, e os Öwawê estão do lado esquerdo.
Em diversas cerimônias estes dois clãs lutam entre si, porém isto não significa que eles sejam inimigos.
Eles, por exemplo, lutam entre si procurando a competitividade, a qual trará o aprimoramento tanto dos Xavantes como povo, como seres humanos. Os dois clãs se completam, um é essencial para a existência do outro, já que o girino não vive fora da água, e o rio não existiria sem sua fauna.


Oi'ó


A formação do menino Xavante começa com a cerimônia do Oi'ó, acontece desde os 2 anos até a entrada no Hö.
Essa luta envolve meninos mais ou menos da mesma idade e de clăs diferentes. Os dois clãs diferenciam-se através da pintura no rosto, desenham pequenos símbolos- os Poreza'õnos simbolizam três girinos e os Öwawê simbolizam um rio.
Para a luta usam a raiz da planta que chama-se Oi'o ( heliconia).

É nesta cerimônia que eles se revelam, que mostram sua personalidade e caráter. Mostram seus limites, conhecem a dor e o medo, e são encorajados por seus pais e padrinhos para se aprimorarem.
A exposição dos jovens nessa luta é importante porque a comunidade os observa e identifica aqueles que serão os líders, os guerreiros, enfim os papéis sociais vão sendo definidos.

"Antes dos meninos entrarem no Hö acontece o Oi'ó. Quando o milho está crescendo, é tempo do Oi'o. Da luta com raíz do oi'o . Os maiores , os ai'repudu , batem, mesmo! Não ficam com dó. os pequenos choram . É assim. Antes da entrada no Hö acontece a última luta de Oi'ó. Aí os meninos todos batem mesmo, sem dó. Porque é a última luta. Assim vamos conhecendo cada menino. Sua coragem, seus medos, suas fraquezas. na luta eles vão se revelando. O pai orienta. Essa é a antiga Tradição. Trasnmitida de geração a geração."

 

O Hö é a casa de aprendizagem de todos os adolescentes-homens de uma mesma geração, onde ficam reclusos do resto da aldeia. Quando estão na casa de solteiro são chamados de wapté.
Ao longo da estada no Hö são observados pelos padrinhos ( todos os homens mais velhos são considerados padrinhos), enquanto estes lhes passam toda a tradição, história, lhes ensinam as cerimônias. A comunidade, por meio dos padrinhos, descobre as qualidades de cada wapté.

A entrada no Hö marca a passagem da infância para a adolescência. Isto significa a participação em cerimônias e decisões tomadas na aldeia. A partir deste período, eles podem ser considerados capazes de exercer todas as funções de um homem dentro da cultura Xavante.
A entrada no Hö se dá por volta dos 10 e12 anos e saída dos 15 e17 anos.
É lá que acontece a formação do guerreiro, onde todos os adolescentes homens aprendem o significado da vida, a base para que entendam mais profundamente os ensinamentos. Segundo eles é apartir desta cerimônia que eles começam a entender o mundo.

A tradição Xavante é estruturada em cima do guerreiro homem, isto porque durante toda a história, os Xavantes tinham que defender-se de seus inimigos, para que não fossem invadidos e para que suas terras não fossem tomadas. Assim o homem era responsável pela sobrevivência de sua família (tanto seu sustento alimentar quanto sua proteção).Por esta razão a maioria das cerimônias são voltadas para o homem, não que eles não se preocupem com a mulher.
O xavante tem uma maior preocupação com a formação dos meninos para que, quando se tornarem homens, eles tenham capacidade de arcar com todas as responsabilidades e deveres defendendo assim o território Xavante.

Gerações

O povo Xavante é dividido em 8 gerações: Etepá, Tirówa, Nozo'u, Abare'u, Sadaró, Añanarówa, Hötörã e Ai'rere.
Estas foram criadas no ínicio dos tempos, cada geração reúne pessoas nascidas no período de mais ou menos 5 anos.
Estas 8 gerações formam um ciclo, tornando possível encontrar pessoas de uma mesma geração, com 40 anos de diferença (já que 8 vezes 5 é igual a 40).
Para entrada no Hö estas 8 gerações são divididas e 2 grupos de 4, Etepá, Nozo'u, Sadaró e Hötörã (olhando as ocas, é o Hö lado direito) e Tirówa, Abare'u, Añanarówa e Ai'rere ( olhando as ocas, é o Hö da lado esquerdo).


Wa'i


Durante todos os 5 anos de formação que os meninos ficam no Hö eles lutam o Wa'i.
O Wa'i é uma luta corporal na qual os padrinhos e os wapté entrelaçam os braços, o objetivo é um derrubar o outro no chão - esta luta lembra o Sumô dos japoneses.
Alguns Reteiwá ( que já furaram a orelha e saíram do Hö) também lutam Wa'i com os padrinhos do wapté para revelar para toda a aldeia sua força e preparo, e por muitas vezes conseguem derrubar os padrinhos.
Assim, é seguida e transmitida a tradição herdada dos ancestrais para as futuras gerações.


Furação de orelha



A furação de orelha é uma cerimônia complexa que envolve várias fases desde a preparação dos meninos para a entrada na água até a apresentação dos meninos para suas prometidas.
Ela marca a saída dos meninos que já concluiram sua passagem pelo Hö.

Eles passam cerca de um mês batendo na água do rio, mais próximo da aldeia, supervisionados pelos velhos e padrinhos. Lá os meninos, muito ansiosos, sentam e, contendo suas emoções e sentimentos, têm suas orelhas furadas pelos padrinhos que ultilizam um osso pontiagudo de onça parda, este depois este é substituido por um talo de capim específico, depois quando o furo já cicatrizou é posto uma madeira especial. São submetidos a esta cerimônia para provarem que deixaram de ser meninos e transformaram-se em adultos capazes de conviver em grupo e voltar a morar com suas respectivas famílias.
As gerações que já concluíram seu período de formação tem a responsabilidade de passar a tradição para os novos.