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Gosto de ter raízes, mas não quero perder as asas!
Mochilão é, pra muita gente, a realização
de um sonho. O sonho de largar tudo e sair pelo mundo, conhecer
um monte de coisas novas e voltar cheio de histórias para
contar é tentador. E depois de aventurar-se pela primeira
vez, não há quem não vicie na experiência.
Quanto mais se faz, mais se quer fazer.
Uma mochila nas costas dá um ar à
viagem de que é sempre possível conhecer um novo lugar
e colocar mais um alfinete no mapa; mais fotos que só a gente
consegue naquela determinada luz, ângulo e momento; mais gente
legal para falar via MSN e treinar uma outra língua ou ter
onde ficar numa próxima aventura. Mas mais do que isso, a
mochila representa a liberdade de seguir pra onde se quer, na hora
que se quer, sem precisar ficar num ônibus com um monte de
gente ou parar a toda hora na lojinha do 'amigo' do guia. Você
sai pra passear no seu horário porque gosta mais do sol batendo
contra o Louvre, do que a favor, porque mais tarde a Piazza di Spagna
lota de gente e aí sente-se mais a vida do local, ou porque
prefere curtir a vida noturna da cidade e acordar mais tarde no
dia seguinte.
Um mochileiro tem liberdade para explorar melhor,
com mais tempo e à sua maneira, os aspectos culturais, geográficos
e sociais como nenhum outro viajante. Claro que para isso é
preciso ser coerente... nada de 4 cidades em um dia. É preciso
pesquisar, 'namorar' os destinos a serem visitados. Assim o enriquecimento
cultural que essa viagem traz será imenso!
Explore o destino mais próximo aos nativos,
conhecendo de verdade seus costumes e gostos. Pegue o metrô,
alugue uma bike e pedale pelas praças. Vá com tudo
naquele restaurante escondidinho ou boteco que comentaram com você,
onde a cozinha é pilotada pela mesma família há
gerações. A dica é fugir do tradicional oferecido
numa excursão, onde os pontos de parada são 100% turísticos
e há pouca interação com o povo local.
Paella tem muito açafrão e comida
mexicana tem muita pimenta mesmo! E são essas particularidades
que só um mochileiro 'desbravador' conhece. Impossível
experimentar a comida local, por exemplo, se o viajante freqüenta
restaurantes indicados para agradar ao paladar internacional. Qual
é? Vai fundo e volta pra contar o quanto ardeu aquela primeira
garfada do chilli, mas que a última deixou gostinho de quero
mais!
Conhecer outros destinos chega a ser uma grande
quebra de paradigma. Hábitos, pontos de vista e opiniões
voltam completamente diferentes quando se conhece um novo país
e suas cidades, desde as mais movimentadas até as pequeninas
do interior. A verdade é que um mochilão é
uma grande ousadia! De desbravar, de perguntar, de querer ver. É
o momento de fazer novos amigos, ter novas idéias, aprender
a ver o mundo com outros olhos. Os de quem foi, viu e fez acontecer.
É aprender com o mundo de um jeito diferente a cada nova
aventura. É como entrar num livro de história, só
que de um jeito lúdico e único. É fazer do
seu jeito.
*Artigo
escrito por Suzana Negrão, gerente de Turismo da CI
Postado
em 26/07/07
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