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Na Argentina, cursos investem no espanhol para brasileiros
A tão
sonhada integração econômica e cultural entre
o Brasil e seus vizinhos latino-americanos esbarra numa expressão
preguiçosa na forma e no conteúdo: o portunhol. Muitos
pensam que podem “se dar bem” na vizinhança com
esse jeitinho lingüístico. Como turista, até
que funciona, mas, na vida profissional, educacional e dos negócios,
o vício não é bem-visto. Mas há um caminho
curto para se vencer essa barreira: ele está ao sul, na Argentina.
O país
tem uma ampla oferta de escolas de espanhol para estrangeiros com
preços atrativos, considerando-se o nosso robusto real. O
“Boa Chance” entrevistou executivos de três instituições
de Buenos Aires, que têm características parecidas,
mas algumas vantagens específicas. No geral, todos garantem
que um pacote com uma semana de aula é o primeiro passo para
seguir a trilha certa da língua de Borges.
O preço
de sete dias varia de US$ 145 a US$ 200, e o de um mês fica
em torno de US$ 500. Alguns cursos, no entanto, como o Mundo Enhe,
cobram em peso.
“Em uma
semana, o aluno já consegue se apresentar, dizer o que gosta,
o que não gosta, onde está hospedado etc. Em um mês,
adquire uma fluência muito boa, já que está
em plena imersão, convivendo com os argentinos,” diz
Daniel Machado, um dos três brasileiros sócios do Mundo
Enhe.
Machado, formado
em jornalismo, e Júnia Brina Marques e Eric Trezze, formados
em literatura, dão aula de português a argentinos.
Os donos do Mundo Enhe garantem que a nacionalidade faz uma boa
diferença, considerando-se outros cursos que funcionam na
capital.
“A escola
é especializada no ensino para brasileiros. Nos comunicamos
pelos mesmos códigos e oferecemos programa de estudo e passeio
com o perfil do aluno do nosso país,” diz Trezze.
O trio, porém,
não dá aulas para os conterrâneos. A equipe
de professores é de portenhos. A maior preocupação
dos proprietários é eliminar a idéia de que
o português é parecido com o espanhol.
“O portunhol
é um escândalo. Não resolve e ainda pode provocar
enormes confusões. Tarado em espanhol é como idiota,
bobo ou burro,” exemplifica Trezze.
O trunfo que
o Esba Global, outra escola de espanhol para estrangeiros, diz ter
na manga para conquistar os clientes é o de ser um grupo
de educação com níveis que vai do jardim até
o universitário. A diretora Mirian Mallmann Hermes explica
que a escola oferece cursos de acordo com o nível de cada
aluno. Lá, cerca de 60% das classes de estrangeiros são
brasileiros, em especial do sul do país. A maioria é
estudante de marketing e comércio exterior: “No Esba,
o aluno tem possibilidade de se inserir num meio educacional e social
exatamente igual ao que está acostumado no Brasil.”
Mirian explica
ainda que a maior dificuldade dos brasileiros está na fonética.
Na contramão do que afirma Trezze, a educadora vê na
semelhança entre os idiomas um facilitador para aprendizagem.
Nora Rodríguez Galíndez, diretora do Centro de Lenguas
Buenos Aires, concorda, mas também destacas problemas nessa
proximidade.
“Realmente,
a semelhança ajuda. Mas não podemos esquecer que o
português é muito similar ao castelhano antigo e médio.
A maior dificuldade é com o uso de alguns gêneros,”
diz Nora, que ressalta que o espanhol da Argentina é comparado
ao inglês ensinado nas escolas americanas.
A aposta principal
do Centro de Lenguas é no contato humano. O curso mantém
os alunos o mais próximo possível da instituição.
Além de organizar passeios pela cidade e pelo interior do
país, a escola os convida para conhecer a casa dos professores
e coloca à disposição os telefones particulares
dos mestres para caso de algum sufoco na terra de Maradona. “Somos
muito parecidos com os brasileiros na maneira de ser. Sempre tivemos
uma ótima integração com os alunos do Brasil,”
garante Nora.
Dando
adeus ao portunhol
FACILIDADES:
Para facilitar a vida do aluno estrangeiro, algumas escolas oferecem,
como opção, o serviço de transporte do aeroporto
ao local de hospedagem e fazem reservas em hotéis ou buscam
vagas em alojamentos e casas de família.
ENSINO:
Segundo as escolas, o aprendizado em Buenos Aires seria vantajoso
pelo fato de o espanhol falado na cidade argentina ser o do Mercosul.
Que é diferente da pronúncia e fonética do
falado na Espanha.
CLASSES
PROFISSIONAIS: Há escolas que organizam seminários
e cursos em diferentes atividades profissionais, como arquitetura,
jornalismo, logística e recursos humanos.
FORA
DA ESCOLA: Além do ensino em sala de aula, muitos
cursos promovem tours por Buenos Aires, no que estão incluídos
programação de shows e teatros e apresentações
de tango. As instituições também organizam
viagens para o interior. Desta forma, os alunos treinam o idioma
fora da escola.
PREÇOS:
O preço de sete dias varia de US$ 145 a US$ 200; e o de um
mês fica em torno de US$ 500.
CONTATOS:
Informações sobre o Centro de Lenguas Buenos Aires
no site www.clbaires.com.ar
ou pelo telefone: (54-11) 4823-9446. O site do Esba Global é
www.esbaglobal.com
e o telefone é (54-11) 4821-2616. Já os contatos do
Mundo Enhe são www.mundoenhe.com
e (54-11) 4384 1347. Ou, no Brasil, (21) 2527-0318.
(O Globo
– 26/02/06)
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