Trabalho voluntário no exterior valoriza currículo

Karina Costa

Intercâmbio para fazer colégio, cursar e aprimorar idioma e para trabalhar não são os únicos a contarem como diferencial no currículo. O trabalho voluntário, principalmente no exterior, tem se tornado, além de uma febre, uma grande oportunidade de colocação profissional para quem o exerce.

Segundo a coordenadora da área de Serviços de Apoio a Carreira da Catho, Daniela Lemos, o trabalho voluntário é muito bem visto pelas empresas e, em alguns casos, exigido como pré-requisito para contratação. “As empresas valorizam por conta do aspecto social, mas também por ajudar o profissional a aprimorar na prática o idioma e pelo valor cultural agregado. Se surge na empresa uma oportunidade de trabalho no exterior, esse funcionário com certeza será indicado por ter vivenciado uma experiência fora do país,” destaca.

Tanto é verdade, que diversas agências de intercâmbio têm investido nesse nicho. Há pacotes de intercâmbio em agências do Brasil que oferecem opções para voluntariado nas áreas da saúde, educação, política, comunicação, agricultura. Nessas áreas, são desenvolvidos trabalhos com preservação ambiental, tratamento de animais, portadores do HIV, deficientes, crianças carentes, entre outros.

Paula Simas Magalhães, profissional em relações internacionais, esteve na cidade do Cabo, na África do Sul, durante quatro meses no ano de 2005. Lá, ela trabalhou para a organização não-governamental Treatment Action Campaign (TAC), que atua no campo da prevenção e conscientização sobre o HIV/AIDS em áreas marginalizadas da cidade. Foi voluntária na área de relações públicas e internacionais da instituição além de ter atuado com pesquisa. “As empresas valorizam também experiências voluntárias que vão além do conhecimento acadêmico. Já para quem pretende atuar no terceiro setor, trabalhar voluntariamente mostra que a pessoa tem interesse pelo social,” diz ela que hoje trabalha na Associação Cidade Escola Aprendiz.

Para ela, a história de vida que cada profissional constrói com essa vivência é um ponto muito forte para o currículo. Isso acontece porque é possível conhecer outras culturas, idiomas, pessoas. “O trabalho voluntário requer vontade, comprometimento, trabalho em grupo, participação, coisas que é preciso ter no ambiente de trabalho”, acredita. “Pessoalmente, essa experiência abre novos horizontes, perspectivas. Aprendi muito e voltei com um olhar diferenciado sobre muitas coisas.”

Mesmo sem ter noção de quanta diferença o trabalho voluntário deve fazer em seu currículo, o estudante Francisco Dias Felitti, está na Índia, onde ficará por três meses. Ele conta que trabalha diariamente num projeto chamado Footprints, que tem o propósito de lutar a favor dos direitos das crianças. Pela manhã, fica numa instituição onde dá aulas de teatro para crianças moradoras de favelas e desenvolve um trabalho de formação de educadores. À tarde, o estudante é voluntário num orfanato masculino onde, em parceria com uma amiga, ministra aulas de dança, brinca e ensina noções de higiene básica.

“Na realidade, ainda não parei para pensar o quanto isso pode influenciar diante de uma colocação profissional. Mas, pessoalmente, embora às vezes seja cansativo e até frustrante, está sendo muito importante para mim pela resposta positiva que recebo tanto das crianças quanto dos educadores”, revela Felitti, que estuda jornalismo na Pontifícia Universidade Católica (PUC) e ciências sociais na Universidade de São Paulo (USP).

“Quem tem experiência de vida e, em diferentes idiomas, tem muito mais oportunidades”, acha Magalhães. “Se o trabalho voluntário faz parte do currículo de um profissional, mostra que ele vai em busca de seus objetivos, é pró-ativo, tem adaptabilidade, flexibilidade”, completa Lemos.

Segundo Lemos, tanto ir para o exterior para aprimorar idioma quanto para fazer trabalho voluntário tem valores importantes na hora da contratação. ”O curso de inglês feito no Brasil é importante, mas não é visto como diferencial. Quem teve oportunidade de fazê-lo fora do país deve destacar no currículo”, recomenda.

Postado em 05/03/07


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