Programas de intercâmbio unem idioma e atividades de lazer

Viajar para o exterior apenas para aprender um idioma já não basta para a imensa turma de jovens que o Brasil todo mês exporta temporariamente. Por conta disso, os programas de estágio oferecem de mergulho e surfe na Austrália a filmes na Nova Zelândia, passando por tango na Argentina; arqueologia, culinária siciliana e fotografia na Itália; vinho, culinária, fragrâncias, cores e sabores da Riviera Francesa.

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- Canadá supera Estados Unidos
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Mergulho num idioma e algo mais

Viajar para o exterior “só” para aprender um idioma já não basta para a imensa turma de jovens que o Brasil todo mês exporta temporariamente. Em geral bem preparada em línguas como inglês, francês e espanhol, essa galera, cada vez mais, quer unir o útil ao agradável. O útil inclui estágios, nem sempre remunerados, que melhoram o currículo. Já o agradável vai de mergulho e surfe na Austrália a filmes na Nova Zelândia, passando por tango na Argentina; arqueologia, culinária siciliana e fotografia na Itália; vinho, culinária, fragrâncias, cores e sabores da Riviera Francesa... As opções de combinação já são uma viagem.

Que o diga Natalie del Barrio, de 23 anos, que em 2003 passou dois meses na Austrália, num curso oferecido pelo International Education Development (IED).
“Sempre tive vontade de surfar e de ir para a Austrália. Fui com meu irmão e duas amigas, e ficamos numa homestay em frente à praia. As aulas eram de segunda à sexta, não tinha como não aprender. Acabei até comprando uma prancha,” diz ela, para quem a experiência não foi só diversão. “Já tinha feito dois cursos de inglês na Califórnia, mas aprendi muito mais coisas com essa viagem.”

Segundo Clarice Caliman, diretora da IE - Intercâmbio, tem crescido muito a procura pelos “cursos de idiomas plus”, que começaram a surgir a cinco anos, mas só agora estão se tornando populares.

“A preferência é por cursos de surfe e mergulho, em países como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia. Também tem um chamado popstar, para quem quer ser cantor ou ator, que inclui visita aos estúdios de Hollywood, em Los Angeles. Ou o de futebol em Londres. Em alguns, as aulas são de manhã e as atividades, à noite. Em outros, o aluno estuda três semanas, e depois passa uma semana na atividade,” explica Clarice.

“Cerca de 80% dos que optam por esse tipo de intercâmbio vão para o Canadá, que oferece cursos combinados pelo mesmo preço dos simples,” diz a gerente da Experimento Intercâmbio Cultural, Daniela Redondo, que oferece um programa de estágio exclusivo para quem tem mais de 18 anos, no país.

No Canadá, há opções como o Canada Adventure, na Eurocentres de Vancouver (duas semanas de curso intensivo de inglês mais uma de aventuras como rafting pela British Columbia); o English Out There, da PLI (aulas em sala e lições nas ruas, bares e atrações da cidade, com um professor); e o Programa CO-OP- Estágio Não-Remunerado, das LSC de Vancouver, Toronto, Calgary e Montreal (inglês ou francês com estágio não-remunerado em áreas como marketing, mídia e hotelaria).

“O trabalho voluntário é uma oportunidade de praticar a língua e ganhar experiência,” explica Gabriella Moro, diretora da LSC de Vancouver, sobre o CO-Op. “Temos vagas em cerca de 15 empresas, como hotéis, bancos, estação de rádio e revista de turismo. No Museu de História, os voluntários usam roupas de época e interagem com os turistas.”

Estudante de relações internacionais, Gustavo Werner Emerick, de 21 anos, recomenda a experiência. Pela Student Travel Bureau (STB), ele foi estudar francês na LSC de Montreal e, em junho, e fez um estágio desse tipo na Anistia Internacional. “Já me viro bem. Só às vezes falta uma palavra,” diz ele.

Depois da recomendação, sua namorada e colega de faculdade, Stella Menucci de Freitas, também seguiu para a LSC de Montreal. Só que para estudar e estagiar em inglês: “Fiz espanhol em Montevidéu e preciso focar no inglês. O estágio do Gustavo termina em agosto, e eu vou tentar fazer meu aqui também. Quem sabe depois estudo francês”.

Fernanda Ribeiro, de 21 anos, trancou administração na PUC para investir num curso de inglês de cinco meses em San Diego, nos EUA, com direito a três meses de estágio no Hotel Hilton, pela Experimento: “O curso nos indica para as entrevistas nas empresas. Preferi o hotel a um banco, pois pude passar por vários departamentos,” conta ela. “Fiz contatos importantes e, logo que voltei, consegui um estágio numa empresa de telefonia.”

(O Globo)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alunos ‘estudam’ até em festas

Diversão é matéria de peso no currículo dos estudantes que vão estudar inglês ou francês no Canadá. As próprias escolas organizam passeios para entrosar seus alunos. Há opções que vão de jogos de futebol e sessões de cinema a tours para atrações turísticas próximas, como a estação de esqui de Whistler (perto de Vancouver) e as cataratas de Niagara (próximo a Toronto).

Quem quer conhecer pessoas de outras escolas pode recorrer a empresas como a Internacional Student Exchange (ISX), que há quatro anos agita festas em Toronto como a Boat Cruise — que rolou em maio, num barco, para 450 estudantes estrangeiros — com DJ profissional tocando três horas de música dos mais diversos países, a 20 dólares canadenses por pessoa.

“Fazemos de duas a quatro festas por mês,” conta um dos sócios da ISX, Jordan Mazuryk, um estudante de história e instrutor de snowboarding, de 27 anos. “Vinte por cento dos estudantes são brasileiros. No ranking dos países que mais estão presentes nas festas e passeios, o Brasil está em terceiro lugar, atrás de Coréia e Japão.”

(O Globo)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Canadá supera Estados Unidos

Meca dos estudantes brasileiros que rumam para o exterior em busca de cursos de idiomas, o Canadá já recebe quase um terço deles, de acordo com as contas de agências especializadas neste intercâmbio.

“Cerca de 25 % de nossas vendas são para o Canadá. Estados Unidos e Inglaterra têm, cada um, cerca de 22 a 23% da preferência, seguidos por Austrália e Nova Zelândia, que somam 20%,” enumera Cláudia Martins, gerente de Marketing da STB. “Vários fatores fizeram com que o país assumisse esse primeiro lugar. O econômico é primordial: além do câmbio favorável (o dólar canadense é 30% mais barato que o americano), o custo de vida lá é mais baixo, deixando preços de cursos e acomodações um pouco menores.”

“E também é mais fácil conseguir visto. Sem contar que o inglês é mais claro,” acrescenta Marcelo Oliveira, recém-formado em administração, que está no país para estudar por cinco meses. “Já morei nos Estados Unidos, mas estudar aqui é mais barato.”

Pelos dados da Student Internacional Programs (SIP), que também vende mais para o Canadá, as cidades preferidas pelos estudantes são Vancouver e Toronto. A primeira lembra o Rio, pelo clima menos frio, praias e montanhas. Já os arranha-céus dão um ar de São Paulo à segunda. Além delas, há Montreal, com seu jeitinho europeu, onde se pode aprender francês e inglês.

Na escola LSC de Vancouver, por exemplo, entre os dois mil alunos de 23 nacionalidades, de 10 a 12% em média são brasileiros. Mas no verão, o percentual de brazucas sobe para 28%. Ouvir português pelas ruas é comum. Mas em escolas como a PLI, falar idiomas que não o inglês dá cartão vermelho ao estudante. Literalmente. Ele recebe uma ficha nesta cor em que a direção anota sua “falta” e o expulsa do campus até o dia seguinte. E o telefone público, usado pelos alunos para falar com suas famílias, na escola de Toronto foi colocado dentro de uma salinha própria: só ali é permitido fugir do inglês.

“Se você quer aprender mesmo, tem que falar em inglês o tempo todo,” concorda o carioca Fernando Nogueira, que faz engenharia na UFRJ e está na PLI de Toronto.

Na LSC de Toronto, o mineiro Maurício Perpétuo e a noiva Roberta Bechelany nem namoram mais em português. “A gente só tem se falado em inglês,” conta ele, que conseguiu hospedagem junto com Roberta.

A chamada “homestay” também é importante para quem escolhe o Canadá. Com população de muitos imigrantes, nem todos dão sorte de ter canadenses para falar em casa. Juliana Schons foi premiada: ficou com um casal “made in Canada”. “Eles são ótimos! E tenho quarto e banheiro só meus,” diz ela, que fez questão de dar essa entrevista em inglês. “Vim aqui para isto: falar inglês.”

(O Globo)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mais informações sobre escolas de intercâmbio

STB: Oferece as mais variadas opções de cursos combinados com idiomas (flamenco na Espanha; futebol na Irlanda; voluntariado para cuidar de golfinhos e curso de mergulho na Austrália; golfe, drama, caiaque, rugby, esqui e degustação de vinhos na Nova Zelândia, por exemplo), além de programas como o Canada Adventure, o English Out There e o CO-OP - Estágio Não-remunerado. Mais informações no site: www.stb.com.br .

IE - INTERCÂMBIO: Entre as ofertas, há inglês com esportes radicais na Nova Zelândia; com mergulho em Malta; ou com música em Nova Iorque. Tem até chinês com pintura em Pequim. Mais informações no site:
www.ie-intercambio.com.br .

EXPERIMENTO: Vende programas combinados com trabalho remunerado, Au Pair (para estudar e trabalhar como babá) e trainees. O English Pathways, na Inglaterra, alia aulas de inglês com matérias voltadas aos profissionais de mídia, medicina ou turismo. Sem contar os combinados, como o de design de interiores com italiano, na Itália, e o de espanhol com tango na Argentina. Mais informações no site: www.experimento.org.br .

IED: Em seu cardápio de cursos, há opções como o New York Film Academy, para edição e direção de filmes (os estudantes dirigem e editam sua própria película); e o Acting - “Hands on Workshop”, em Nova York e na Universal Studios, em Hollywood, com aulas de interpretação para cinema, leitura de cenas, técnicas de atuação, monólogos, voz e movimento, improvisação etc. Sem falar no GBM – Global Business Magement, na Califórnia, para as áreas de gerenciamento, negociação e marketing: no fim, o estudante poderá conseguir estágio numa empresa americana. Mais informações no site: www.ied.com.br .

SIP: Oferece inglês com safári na África do Sul, espanhol com danças latinas ou mergulho em Cuba, francês com moda e/ou culinária em Paris e alemão com música em Farnkfurt, entre outras opções. Mais informações no site: www.siptravel.com.br .

WORLD STUDY: Cursos de inglês com esqui e snowboarding na Nova Zelândia, de italiano com fotografia na Itália, de espanhol com artes, história, literatura ou golfe na Espanha estão disponíveis. Mais informações no site: www.worldstudy.com.br .

EF: Tem, por exemplo, um programa de trainee para jovens entre 18 e 35 anos que desejam enriquecer os seus currículos em 6 ,12 ou 18 meses de viagem. Após um mês de estudo intensivo da língua, o estudante começa a participar do quadro de trainee da empresa empregadora. Mais informações no site: www.ef.com .

CULTURA INGLESA: Em parceria com o STB e a International Schools, tem um programa chamado Cult Trip, para estudantes (não necessariamente seus alunos) que contam também com a ajuda de professores da Cultura, além do guia do roteiro, em cursos combinados na Austrália, no Canadá, na Inglaterra, na Nova Zelândia e nos Estados Unidos. Oferece ainda estudo e estágio remunerado na Inglaterra, estudo e trabalho nos Estados Unidos e na Irlanda e estágios. Mais informações no site: www.culturainglesa.net .

(O Globo)