Graduação no exterior é bem vista pelo mercado

Karina Costa

Se o mercado de trabalho vê com bons olhos profissionais que saem do país para cursar algum idioma, a bola da vez é a graduação. Confirmam a tendência agências de intercâmbio e instituições de ensino superior, que investem cada vez mais em parcerias educacionais desse nível com universidades no exterior.

“Não dá para evitar a globalização, sobretudo do ponto de vista político e econômico. Os futuros profissionais devem encarar o mundo como sendo seu quintal de trabalho”, acredita o diretor da faculdade de Administração da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Henrique Vailati.

Ele conta que a instituição, há mais de quatro anos, mantém parcerias com mais de 300 universidades internacionais. Para o próximo ano a FAAP firmou um acordo com a Escuela de Administración de Empresas, com sede em Barcelona, para que seus alunos possam garantir dois diplomas. “Numa pesquisa interna descobrimos que cerca de 70% de nossos alunos, durante ou após terminarem a graduação, buscam no exterior experiências na área de Administração. Por isso, fomos atrás da parceria para bi-titulação e, o fato de 93% de nossa grade curricular ter sido convalidada, garante a eles diploma estrangeiro reconhecido no Brasil”, conta.

O acordo, previsto para iniciar em 2008, garante aos alunos hospedagem, alimentação e possível chance de estágio em empresas européias. “Os alunos participantes pagam 50% da mensalidade em Administração da FAAP para estudar no exterior. Estamos em fase de processo seletivo e os melhores alunos vão ganhar bolsa para estudar gratuitamente”, revela.

A Universidade Anhembi Morumbi está também entre as universidades que mantém acordos educacionais no exterior. Desde 2005 a instituição integra a Rede Laureate Internacional Universities, podendo assim levar estudantes para cursar graduação em 17 países. No caso da Anhembi, os alunos têm a oportunidade de estudar até seis meses no exterior, pagando o mesmo valor da mensalidade em reais.

Passou pela experiência a fisioterapeuta Gabriela Duarte Rodrigues que, formada pela instituição, concluiu seus estudos em 2006 na Universidade Européia de Madri, na Espanha. Ela conta que teve a oportunidade de fazer estágio em hospitais e clínicas, colocando em prática seus conhecimentos na área de ortopedia, geriatria e neurologia. “Garanti dois diplomas para meu currículo e posso exercer a profissão em qualquer país da união européia. Além disso, trouxe para o país novas técnicas utilizadas pelos especialistas europeus”, conta Rodrigues.

Pela agência de intercâmbio CI, o processo acontece de outra forma. Quem tem interesse em graduação fora do país deve começar do zero, mesmo que já tenha iniciado sua formação no Brasil. A empresa tem parceria com universidades dos Estados Unidos para todos os cursos de graduação, pós e MBA que oferecem. “A maioria das pessoas buscam cursos na área de Administração, Gestão de Negócios, Economia e Marketing. Os alunos recebem o diploma, que é encaminhado para a tradução juramentada e depois para a delegacia de ensino, no intuito de garantir a validação”, explica o gerente de produtos da CI, André Simonetti.

O candidato a esse tipo de programa deve ter formação completa no ensino médio e nível fluente de inglês. “O valor pago pelo interessado inclui acomodação e alimentação, além de anuidade menor do que o preço cobrado pela Universidade”, conta Simonetti. A partir do 2º ano a empresa deixa de dar suporte ao estudante. “Acreditamos que os jovens estarão maduros o bastante para procurar trabalho e morar sozinhos”, diz.

Para ele, mais do que uma experiência de crescimento pessoal, estudar no exterior consiste em um diferencial profissional. “Assim como fazer intercâmbio para estudar línguas, o ensino superior estrangeiro é muito vantajoso para o currículo e reconhecido por empresas brasileiras”, lembra.

“Foi importante experimentar outra cultura que não fosse a americana e outro idioma que não fosse o inglês. Houve grande aceitação do meu currículo no país, tanto que hoje faço residência medica numa organização não-governamental que trabalha com crianças deficientes”, revela a fisioterapeuta.

Postado em 05/09/07


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