Criança também pode estudar no exterior

Karina Costa

Não são somente os jovens e adultos que vão para o exterior adquirir novas experiências com estudo e trabalho. Muitos pais têm investido no intercâmbio infantil, proposta que agrega estudos para aprimoramento do idioma e atividades lúdicas. Além disso, os pequenos ganham maturidade e bagagem cultural.

“Já tinha ido outras vezes para o exterior, mas junto com meus pais. Essa experiência foi diferente e muito interessante pois fui para estudar, me divertir e não tive dificuldades em ficar sozinho“, revela Marcelo Fridman de Carvalho, de 11 anos, que foi pelo Junior Program da Central de Intercâmbio (CI) estudar em Vancouver, no Canadá.

Segundo Carvalho, que passou duas semanas no país quando havia acabado de completar 10 anos, os intercambistas mirins excursionavam todo dia pela manhã por cidades vizinhas a Vancouver. Nos dias livres, os intercambistas escolhiam o que queriam fazer antes de ir para as aulas de inglês, que aconteciam no período da tarde.”Podíamos optar por navegar na internet, ir ao parque de diversões, praticar esportes. O que mais gostava de fazer nos dias livres era jogar futebol americano. Das viagens que fiz, me agradou os dias em que fui esquiar”, conta.

A mãe de Carvalho, Márcia Fridman, conta que foi o filho quem tomou a iniciativa e pediu a ela autorização para viajar. “Ele ficou empolgado quando descobriu que um grupo de amigos iria estudar fora. Fiquei surpresa com o pedido, topei na hora, mas confesso que quando o dia da viagem foi se aproximando fiquei com receio de mandá-lo”, revela. “No fim, deixei-o viajar porque considero a oportunidade extremamente enriquecedora, sou a favor dessas experiências para as crianças. Meu filho melhorou bastante o inglês e adquiriu melhor desenvoltura e naturalidade para conversar”, conta orgulhosa.

Luiza Vianna, gerente de Produtos da CI, conta que o Junior Program é aberto para receber crianças e jovens com idade entre 11 e 17 anos. “É um combinado de aprendizado e aprimoramento do idioma somado a atividades que os levem a conhecer a cultura local. Os intercambistas fazem o curso, excursionam pelo país, praticam esportes, visitam museus. Além da possibilidade de fazer novos amigos, a vivência cultural é o que mais os fascina,” conta Vianna, lembrando que os Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Suíça, Itália e Inglaterra estão entre os
destinos possíveis para participar do programa.

Ela garante que os pais não têm com o que se preocupar pois os estudantes são monitorados 24 horas por dia. “As próprias companhias aéreas de pronto oferecem um serviço de acompanhamento a menores de idade. Depois, quando chegam ao destino e durante toda a estadia no país, os intercambistas são supervisionados dia e noite,” explica. Em 2006, 100 intercambistas, com idade entre 10 e 17 anos, foram para o exterior por meio do Junior Program da CI.

Vianna acredita que a experiência tem muito valor diante do atual mundo globalizado. “Quanto antes as pessoas conquistam uma certa bagagem cultural, melhor. Esse tipo de experiência desperta a criança e o adolescente para o mundo, eles descobrem que aprender, viajar e fazer amigos são experiências importantes”, acredita. “Mais tarde, podem até pensar em ingressar num colegial fora do país, fazer outros cursos de idioma e até trabalhar no exterior. É um ganho para a vida toda e essa vivência é essencial para seu futuro no mercado de trabalho”, acha.

Quando autorizou a ida de seu filho para o exterior, Fridman não pensou na perspectiva do futuro profissional dele. “Acredito que essa não seja a hora ainda. Aposto mais nesse investimento como uma experiência de vida bárbara, que trouxe maturidade a ele, que mostrou o quanto ele é capaz”.

Postado em 06/04/07


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