Brasileiros fazem trabalho temporário nos EUA

Cristina Veiga

Mil universitários brasileiros vão trabalhar nos Estados Unidos nas férias de final de ano. Eles estão sendo selecionados para serem faxineiros, salva-vidas, atendentes ou vendedores em empresas norte-americanas conveniadas com a maior agência de turismo jovem do país, a Central de Intercâmbio (CI). Os jovens, de acordo com Tereza Fulfaro, diretora educacional da CI, ganharão, no mínimo, US$ 5,15 (quase R$ 12) por hora trabalhada e voltarão “falando inglês e com experiência de vida”.

“Preciso falar inglês direito. É fundamental na minha área”, disse Adriana Coutinho que acabara de ser selecionada para trabalhar como recepcionista em um resort no estado de Idaho. Ela faz Faculdade de Turismo em São José dos Campos, na grande São Paulo e pretende juntar o útil ao agradável. “A gente ganha por hora lá o que ganharia em um dia aqui”, emendou sua colega Vanessa Carla de Castro, que será faxineira em um cassino de Indiana.

Nos quatro meses de permanência nos EUA, os universitários trabalharão entre 20 e 50 horas por semana. Dependendo do emprego que conseguir, o jovem consegue até fazer alguma economia para trazer de volta. “Vendi tudo que era velho ou que não usava para pagar a taxa de inscrição”, contou Vanessa Cristina Alves Reis rindo da sua decisão de vender a moto, o computador, roupas e sapatos que não usa mais para pagar os US$ 1.240 cobrados pela inscrição, pela colocação da vaga e pelo seguro de viagem.

Cerca de 150 universitários, na faixa dos 18 aos 28 anos, fizeram entrevista com os empregadores em São Paulo. “Os americanos não gostam de empregos temporários. Para os brasileiros é vantajoso porque eles ganham em dólares e para nós porque são pessoas honestas”, comentou Bob Kiani que estava selecionando pessoas para trabalhar como salva-vidas em um parque aquático do estado de Washington. “Verifico como fala inglês, como é a personalidade do candidato, se tem alguma experiência anterior de trabalho e o que quer fazer na vida”, acrescentou George Rutherford, outro empregador.

“Além do que ganham como salário, vocês ainda podem receber gorjetas que vão de 10 a 100 dólares”, contava a representante do resort Pinnacle Entertainement, Nadine Santa Cruz, a um grupo de sete estudantes. Os interessados eram estudantes das mais variadas áreas: dois cursam engenharia civil, outro negócios, outro medicina, psicologia, literatura estrangeira e computação. A outra opção oferecida por essa empresa era limpeza do cassino. “É preciso limpar cinzeiro, varrer o chão”, advertia ela dizendo que esse emprego era só para maiores de 21 anos.

Os empregadores ainda entrevistariam jovens em outras nove cidades brasileiras porque o número de interessados nesse tipo de trabalho tem aumentado a cada ano. Em 2002, a demanda pelo programa de Trabalho de Férias nos EUA foi de 62.5%. Em 2004, cresceu para 96%, uma demanda de 33.5% maior que no ano de 2002. “Oferecemos programas de trabalho de férias e estágios remunerados anualmente, porém, nos últimos anos as estatísticas comprovam um aumento muito grande na demanda, especificamente para o programa temporário de Trabalho de Férias nos Estados Unidos”, disse Fulfaro.

Mais informações: www.ci.com.br.



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