África é opção para intercâmbio voluntário

Julia Dietrich

No lugar de realizar intercâmbios tradicionais, cada vez mais jovens buscam oportunidades de voluntariado no exterior. Entre os principais destinos, está o continente africano: tanto pela sua diversidade cultural, quanto pelo grande número de organizações sociais que lá trabalham. Porém, para entrar na maioria dos projetos é preciso disponibilidade, conhecimento de línguas e desenvoltura.

Para a estudante dos Estados Unidos, Leila Jamal, a experiência de voluntariado com a equipe do Village Exchange International Ghana (VEG), na cidade de Ho (Leste da África), foi uma experiência bastante positiva. “A VEG é uma família, o que significa que você pode participar de outros projetos que não o que está necessariamente envolvida, além de dividir sua própria moradia com os fundadores e equipe da organização”, conta a jovem que atuou com um projeto de saúde reprodutiva, violência doméstica, doenças sexualmente transmissíveis e higiene geral.

A cidade de Ho se localiza a apenas algumas horas da capital de Ghana, Accra, e tem uma população bastante acessível e amigável. “Nem sempre os lugares são assim, mesmo em Ghana, porque em cidades maiores, onde há maior concentração de renda, a miséria fica mais evidente e a violência também”, conta Leila, que aproveitou sua estada de três meses no país para também passear.

Para o diretor geral da Rede Africana de Campanha pela Educação para Todos (Ancefa), Gorgi Sow, que coordena diversas organizações de 27 países do continente, para fazer trabalho voluntário na região é preciso muita força de vontade. “As relações não são simples, pois há uma herança colonial muito forte e uma dificuldade grande de certos grupos de aceitarem o trabalho internacional na região. Especialmente quando se trata de saúde reprodutiva, existem costumes locais e relações políticas e culturais que dificultam muitas ações”, conta.

Por isso, a grande maioria das organizações realizam extensa pesquisa com os interessados: nos questionários são verificadas desde a saúde geral da pessoa até suas qualificações e habilidades para trabalhar em grupo. “Para quem quer ser voluntário é fundamental entender que não é um período de férias, embora seja uma experiência muito gostosa”, conta Leila que trabalhava de segunda à sexta-feira, por cerca de oito horas diárias.

A organização VEG, por exemplo, realiza um questionário online e mantém contato direto pelos meses que antecedem a partida do intercambista, sempre reiterando a importância da pessoa estar certa de sua vontade. A coordenadora dos programas de saúde reprodutiva da organização Genevieve Hutchinson faz questão de conhecer bem os interessados. “Precisamos muito da ajuda de pessoas disponíveis, mas que se sintam parte da comunidade e realmente estejam prontas para enfrentar as dificuldades”, explica.

Genevieve explica que mesmo recebendo dezenas de voluntários ao ano, a demanda de novos interessados permanece. Nos Estados Unidos e Europa é muito comum que as universidades cedam créditos acadêmicos para quem passa o período de férias em experiências de voluntariado internacional. “Para nós é muito importante que a pessoa fale línguas diferentes, pois como houveram diferentes colonizações no continente, quanto mais idiomas o voluntário falar, maior será sua chance de se comunicar”, conta.

Em Ghana, especificamente, o idioma predominante é o inglês, mas a língua local é o Ewe. “Fiz aulas de Ewe, organizadas pela Genevieve. Foi uma experiência inacreditável pois o pouco que aprendi foi suficiente para me comunicar melhor com as pessoas e entender seus costumes”, avalia Leila, que também tem família em outro país africano, a Tanzânia.

Porque intercâmbio voluntário no continente africano?

A África enfrenta diversos problemas, desde uma miséria aguda, fruto da colonização pela qual o continente passou, até grandes déficits educacionais e uma violenta epidemia de HIV-Aids. Diversos estudos de organismos internacionais, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), afirmam que mais de 22 milhões de pessoas falecerão da doença na próxima década – fora os que se contaminam, mas não desenvolvem o vírus.

Entretanto, na mesma proporção que os problemas surgem, aparecem pessoas comprometidas. Seja em intercâmbio voluntário ou como escolha profissional, há espaço para atuar. Porém, para participar da maioria dos programas em países do exterior é preciso separar uma quantia em dinheiro. Embora não muito caros, os programas são pagos, mas contemplam acomodação, comida e transporte no local.

Postado em 13/02/08


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