Brasil promove intercâmbio cultural

Ana Loiola

Estágios, aulas de capoeira, surf, língua portuguesa, trabalho voluntário e miscigenação de povos e culturas. Esses são alguns dos fatores que atraem cada vez mais estrangeiros ao Brasil, e ao mesmo tempo, desperta a curiosidade dos próprios brasileiros em conhecer novos lugares no país.

Há pouco tempo no Brasil, a estudante de comunicação alemã Simona Bernardo conta como é morar com uma família brasileira. ”Na casa onde estou ninguém fala inglês ou alemão, tenho que me virar em português. No começo foi difícil, mas eles são solícitos e divertidos. Como são muito receptivos, querem me mostrar tudo. Temos passeado bastante, é uma experiência incrível”, diz.

Para o estudante de Boa Vista (RR), Wilkinson Nascimento - participante da Mostra Internacional de Ciências e Tecnologia (Mostratec), que aconteceu em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul - só em sair do estado já é notável a grande diferença na linguagem e cultura das pessoas.

“Ao chegar no Sul, logo notei uma diferença na forma de falar e de agir das pessoas”, conta. Segundo ele, participar de feiras como a Mostratec, que reúne estudantes de vários países, é um incentivo para aprender novas línguas. “Quem chega no evento sem falar inglês e espanhol, por exemplo, se esforça para aprender, para que na próxima vez que participar possa se comunicar melhor e compreender ainda mais o outro”, explica.

A opinião é compartilhada pelo estudante de Goiânia (GO) Luiz Henrique Martins. ”Por participar de feiras com pessoas de outros paises e me esforçar para comunicar o que queria, consegui aprimorar meu inglês e espanhol”, conta. Para a moradora de São Leopoldo (RS) – cidade próxima a Novo Hamburgo, Nibélia Rodrigues, 15 anos, “pessoas de diferentes locais do mundo acabam contribuindo muito para enriquecer a cultura da região”.

Uma experiência de intercâmbio cultural diferente foi vivenciada por Alex Sandro Lima, 26 anos. Morador do Jardim Ângela, zona sul de São Paulo, ele recebeu em sua casa, por duas semanas, um grupo denominado Caravana de Resistências Artísticas, composta por franceses, palestinos e brasileiros do Rio de Janeiro e São Paulo. “O grupo realizou várias atividades no meu bairro, e as pessoas puderam ter contato com diferentes etnias. Podemos notar como é diferente os costumes com relação à higiene e alimentação, por exemplo”.

Segundo a supervisora operacional dos programas IAESTE e Incoming, da CI, Renata Sztokbant, “geralmente, os intercambistas ficam no país entre um mês e um ano e se interessam por atividades como: aulas de português, futebol, surf, capoeira e high school”.

Sztokbant conta que muitos estrangeiros que tem vontade de fazer trabalho voluntário no Brasil recebem incentivos financeiros do governo do país em que vivem.

Para a estudante alemã, que veio ao Brasil para complementar seus estudos na faculdade, o estágio tem contribuído muito para sua profissão. “Os brasileiros sempre estão dispostos a me ajudar, e graças a eles tenho aprendido bastante sobre minha profissão”, diz.

Segundo Sztokbant, para as empresas é interessante receber estrangeiros, pois eles podem agregar diversos conhecimentos técnicos e culturais ao local. “Essa vivência possibilita uma troca de experiências muito significativa entre empresa, funcionários e intercambistas”, conta.

“Intercâmbio Cultural é importante, pois com a globalização as pessoas precisam ser mais participativas, buscar novos caminhos. Tanto no caso do intercâmbio cultural quanto para estágio o currículo fica mais valorizado por tal experiência”, conclui.

Postado em 14/11/07


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