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Porte da cidade influência o tipo de intercâmbio
Julia Dietrich
Jovens que decidem partir para intercâmbio
certamente estão em busca de conhecer e experimentar outras
culturas. Porém, não é só mudar temporariamente
de país que determina qual realidade o intercambista será
convidado a experimentar. Assim como o Brasil, os Estados Unidos
reúnem diversas cidades de diferentes tamanhos: das pequeninas
com até 10 mil habitantes, às megalópoles como
Nova Iorque, Los Angeles e Miami. Ainda refúgio preferido
de intercambistas brasileiros, os EUA oferecem um pouco de tudo:
da qualidade de vida e segurança das vilas ao agito e fervor
cultural dos grandes centros.
Para a diretora
educacional da CI, Tereza Fulfaro, tradicionalmente os jovens que
partem para os EUA para cursar os programas de High School, equivalentes
ao Ensino Médio brasileiro, são conduzidos para cidades
pequenas e não decidem para qual cidade irão. “A
questão da segurança é importante e mais ainda,
os que partem para esse tipo de programa vão conhecer realmente
o cotidiano do norte-americano de classe média”, diz.
Segundo ela, as famílias suburbanas são as que têm
maior interesse em receber intercambistas, pela riqueza da experiência
e a possibilidade de troca cultural.
Enquanto isso, jovens maiores de 19 anos, que escolhem
programas de aprendizado de língua, podem escolher em qual
cidade ficarão hospedados. “Nessa experiência,
o jovem acaba encontrando pessoas de diferentes locais do mundo
e tem mais acesso à vida cultural das metrópoles”,
observa Fulfaro, insistindo no caráter cosmopolita do tipo
de viagem. Porém, justamente pelo grande contingente populacional,
o estudante acaba não vivendo o cotidiano tradicional das
famílias tradicionais dos EUA.
O comprador de moda, Felipe Filizola, teve o melhor
das duas opções, pois aos 16 anos viveu em Winchester,
pequena cidade do estado da Virginia, mas que está a apenas
uma hora de trem de Washington, onde se encontra a Casa Branca,
residência oficial da presidente do país. “Na
minha cidade tinham aqueles restaurantes tradicionais americanos
como o Friday’s e o Rooter’s. Mas, para sair a noite
e fazer outros programas, ia com a minha irmã americana no
fim de semana para Washington”, lembra.
Para Fulfaro, a experiência de viver em uma
cidade pequena, no começo, pode gerar incômodo para
o brasileiro. “O modo de vida é bastante diferente.
As festas começam às 19 e acabam às 22 horas.
Não existe a história de ir para balada em um ‘school
day’ (dias de aula)”, disse. Filizola conta que como
estudou em uma escola católica, a chance de programas noturnos
com os colegas era ainda mais rara. “Na minha escola não
tinham punks, góticos etc. Todo mundo era obrigado a andar
padronizado”, observa, lembrando que seu irmão que
fez intercâmbio para a mesma cidade, só que estudou
em escola pública teve uma experiência diferente. “Ele
estudou com todos os tipos de pessoas. O meu exemplo é bastante
particular por eu ter estudado em uma escola privada”, complementa.
A designer Mariana Cunha passou por situação
semelhante. Entre os 17 e 18 anos morou em Freemont, na Califórnia,
a também apenas uma hora de trem de São Francisco.
Como não viajou por meio de nenhuma agência de intercâmbios,
a jovem ficou com quatro famílias diferentes, passando um
mês com cada uma delas e o resto do ano com a primeira ‘mãe’
que a recebeu e que era amiga da família. “Foi uma
experiência muito interessante, pois acabei conhecendo bem
os hábitos do americano, em diferentes situações
familiares”, pontua.
Tanto Filizola, quanto Cunha justificam maior liberdade
para o jovem das cidades pequenas. “Meus pais daqui e de lá
ficavam mais tranqüilos sabendo que tudo era perto e com bastante
segurança”, conta o rapaz. “Embora os estabelecimentos
fossem distantes um dos outros, era muito tranqüilo andar a
pé e de ônibus. Em todo tempo que passei por lá,
não ouvi nenhuma notícia de que algum crime tivesse
acontecido”, lembra Cunha.
A diretora educacional
da CI conta que é intenção das próprias
organizações parceiras que os estudantes fiquem em
cidades mais seguras. O analista de sistemas, Fábio Brunetti
Falci, que morou por um ano em Saint Louis, grande cidade do estado
do Misouri, conta que teve uma ótima experiência na
cidade grande. “Embora fosse uma cidade mais do interior dos
Estados Unidos, tinha uma vida cultural bastante rica e uma excelente
infra-estrutura”, conta. Ele, inclusive, tirou sua licença
de motorista de graça e praticou esportes na escola de forma
profissional. “Eles realmente investem no estudante, embora
eu tenha achado o ensino bastante fraco”, pondera.
Porém, independente de terem morado em cidades
grandes ou pequenas, os três jovens avaliam a experiência
do intercâmbio como diferenciais em suas vidas. “Ter
conhecido uma outra cultura, morado fora da minha casa e do meu
cotidiano foi super importante. Além disso, aprendi outro
idioma”, conclui Cunha.
Postado
em 17/10/07
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