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Deficiência não impede sonho de quem quer fazer intercâmbio
Karina Costa
Enquanto no
Brasil as políticas voltadas para pessoas com deficiência
engatinham, no exterior essa é uma prática comum.
Dos centros educacionais à arquitetura urbana da cidade,
tudo é pensado incluindo essas pessoas. Tanto que cidades
como Londres, na Inglaterra, tem chamado a atenção
de quem deseja estudar no exterior. Esse é o destino do advogado
brasileiro Marcos Bernardo Rodrigues, deficiente visual, que, em
2007, viaja para o país num programa de intercâmbio.
Deficiente desde
que nasceu, Rodrigues, de 25 anos, conta que apesar de o desafio
ser grande pelo fato de ir sozinho para um lugar que não
conhece, as expectativas da viagem são maiores pois realizará
seu plano antigo de aperfeiçoar a língua inglesa no
exterior, além de conhecer novas culturas e estilos de vida
diferentes. “Hoje me sinto mais seguro, pois se quero atingir
meu objetivo tenho que encarar seja lá o que for. Vou melhorar
meu inglês, conhecer novas pessoas e espero que meu exemplo
abra caminhos para deficientes que desejam o mesmo que eu mas ainda
não se encorajaram,” incentiva.
Na ocasião,
o advogado ficará hospedado numa residência estudantil,
toda adaptada para deficientes. Tanto essa quanto outras instituições
do país já receberam deficientes de outras nacionalidades
mas Rodrigues é o primeiro brasileiro a encarar uma experiência
desse nível no exterior. A escola já está providenciando
o material didático adaptado para o aluno que ficará
no país por um mês.
“Acredito
que fatores culturais ou financeiros impeçam pessoas com
deficiência de encararem uma experiência como essa.
Acho até que muitos não sabem que ser deficiente não
é empecilho para quem deseja fazer intercâmbio.O exemplo
de Rodrigues nos mostra que sonhar é possível para
todos,” explica a diretora educacional da Central de Intercâmbio,
Tereza Fulfaro.
Rodrigues já
havia feito viagens ao exterior porém junto com seus pais,
que sempre estavam por perto para ajudá-lo. Ele acredita
que barreiras maiores que os deficientes enfrentam no Brasil são
improváveis no exterior. “Em São Paulo, por
exemplo, não há quase nada adaptado e conseguimos
viver. Precisamos fazer movimento, sair pela cidade e cobrar pois
só assim abriremos portas para que as pessoas nos reconheçam
e nos incluam nas oportunidades da cidade,” declara.
“O mais
interessante é que ele vai conhecer a Europa num outro aspecto,
percebendo o país com sentidos diferentes dos nossos e, ao
mesmo tempo, aproveitará a oportunidade de aperfeiçoar
seus estudos. “Fazer intercâmbio no exterior é
uma experiência que nos torna mais flexíveis e abertos
a entender e aceitar diferenças,” declara Fulfaro.
Postado
em 17/11/06
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