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Língua, emprego e transporte levam intercambistas à
Inglaterra
Julia Dietrich
O relógio Big Ben ou o Capitólio em
Washington? A formação rochosa de Stonhedge ou as
cataratas do Niagara? Estas são dúvidas que passam
pela cabeça de muitos jovens que no intuito de aprender a
língua inglesa, se questionam se devem ir para os Estados
Unidos ou para o Reino Unido. Porém, a tradição
na modalidade de intercâmbio de línguas, a possibilidade
de trabalhar legalmente no país e a facilidade de transporte,
fazem da segunda opção a mais atraente.
“O jovem que vai estudar nos Estados Unidos
acaba ficando só na sua cidade, pela própria distância
e objetivo da experiência. Enquanto isso, aquele que vai para
a Inglaterra, por exemplo, pela facilidade de transporte e proximidade,
viaja para outros países e regiões”, observa
a diretora de operações da Brazilian Educational &
Language Travel Association (Belta), Maura Leão.
A gerente de produtos da CI, Luiza Vianna afirma
que estar inserido no continente europeu é também
um diferencial. “O estudante estará próximo
de outras culturas, terá a chance de aprender outras línguas,
conviver com as diferenças”, observa. Para o estudante
Weelington de Souza, que viveu na Inglaterra por um ano, a experiência
não foi diferente. “Tive a oportunidade de conhecer
vários países como País de Gales, Irlanda,
Escócia, França, Itália e Inglaterra é
claro. Cada um com as suas particularidades”,conta.
Apesar dessas vantagens, ele diz que sentiu a maioria
dos ingleses pouco receptivos. “Os ingleses geralmente são
frios com os estrangeiros. Mas, é claro que existem exceções
e é ai que surgem as grandes amizades”. Por outro lado,
o estudante Rafael Thome, que atualmente estuda na Irlanda, conta
que o que mais lhe chama atenção é justamente
a simpatia das pessoas. “Quando se está perdido na
rua com o mapa na mão em menos de dois minutos um cidadão
irlandês pára para ajudar”, conta.
Sobre as diferenças culturais, Thome conta
que está readequando seus hábitos alimentares. “Os
irlandeses tem apenas o café da manhã e janta como
refeições prioritárias, enquanto nós
brasileiros damos muito valor ao almoço que aqui na Irlanda
é satisfeito apenas por uma salada ou um lanche”, diz,
o jovem intercambista, assim como Souza, não perdeu oportunidade
de viajar. “Já viajei para Inglaterra, Grécia,
França, Bélgica, Holanda e Irlanda do Norte, agora
estou com passagens compradas para Itália, Espanha, Portugal,
Alemanha e Suécia”, conta Thome.
Emprego
Segundo Thome outro traço que distingue o
Reino Unido do Brasil, e até dos Estados Unidos, é
a quantidade de ofertas e oportunidades de emprego, além
do grande número de estrangeiros trabalhando em grandes empresas.
Maura Leão conta que o trabalho para estudantes intercambistas
no Reino Unido é legal e autorizado. “Antes de ir,
o jovem pede um visto que o permite trabalhar. Mas, o controle é
muito rígido”, lembra.
Vianna concorda e reitera que para conseguir o almejado
visto é necessário estar com todos os documentos em
ordem e, preferencialmente, fazer o intercâmbio com o apoio
de agências que mantém bom relacionamento com escolas
no exterior. “Justamente porque existe essa possibilidade,
o governo britânico busca que as regras sejam seguidas à
risca”, conta.
Leão recomenda o site do consulado britânico,
que disponibiliza as informações em inglês.
Para aqueles que não falam a língua, recomenda-se
consultar agências de intercâmbio. “É muito
comum ouvirmos histórias de jovens que compraram cursos pela
Internet. Cursos que na verdade não existiam ou não
ofereciam o que prometiam. E, para receber esse visto de trabalho,
há uma fiscalização enorme tanto da vida do
jovem aqui, quanto da instituição que o receberá”,
complementa Vianna.
Thome conta que o trabalho foi o principal argumento
para a estadia no país. “Vi na Irlanda a oportunidade
de aprender um inglês claro como é falado pelos ingleses
e pela oportunidade de trabalho que, mesmo sendo meio-período,
é suficiente para me sustentar durante a minha temporada
aqui”, conta.
Rock n’Roll
“É importante lembrar que o Reino Unido
tem apelo aos jovens. Não podemos esquecer que a grande maioria
das bandas de rock veio de lá. Além disso, existem
grandes artistas contemporâneos e a própria atitude
revolucionária dos punks é fascinante e seduz o jovem
até hoje. Em todos os países que compõem a
região há uma pluralidade cultural riquíssima”,
lembra Leão.
No meio de tantas características positivas,
o Reino Unido é uma excelente opção para o
jovem, mas resta o problema das efemérides. “Você
sai de casa com o tempo ensolarado, então você pode
usar uma bermuda e camiseta, e após sair de um shopping você
tem que estar com um guarda-chuva armado e com uma jaqueta contra
o vento”, conta Thome.
Postado
em 19/09/07
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