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Terceira idade também busca intercâmbio
Karina Costa
Ultrapassando as barreiras colocadas por si mesmos e pela sociedade,
os idosos têm buscado recuperar sua hiperatividade juvenil
na terceira idade. Alguns procuram o mercado de trabalho, outros,
o bem-estar por meio do esporte e, atualmente, o intercâmbio
também é uma possibilidade.
Tanto é fato que muitas agências do ramo tem criado
pacotes de intercâmbio para atender essa demanda. “Temos
parcerias com três escolas na Inglaterra e Espanha para oferecer
cursos de idiomas e atividades culturais e de turismo por meio de
um programa específico de nossa agência”, conta
a gerente de produtos da Centra de Intercâmbio, Luiza Vianna.
“A quantidade de pessoas que procuram ainda não é
grande, pois, no Brasil, muitos chegam na terceira idade sem ter
condições financeiras para esse investimento. De qualquer
forma, há sim a procura por parte de pessoas de 50 a 70 anos
que possuem a cultura de viajar”, lembra.
A paixão por Nova York e a vontade de aprender o idioma
local levou a professora e diretora de teatro, Elvira Lima Gentil,
hoje com 76 anos, a fazer intercâmbio duas vezes. No ano de
2004, ela viveu na cidade durante três meses e morava no alojamento
da escola de idiomas junto a um grupo de meninas jovens. “Resolvi
que não faria intercâmbio junto a pessoas da mesma
idade que eu, pois acho mais produtivo viver entre os mais jovens.
Minha profissão inclusive exige tal hábito”,
lembra Gentil. “As pessoas da escola que estudei acharam que
eu não me adaptaria a tal desafio, mas o contrário
aconteceu. Além da oportunidade de melhorar meu inglês,
acompanhava o grupo de jovens do curso em todos os passeios, fazíamos
festas, jantares e cheguei até a ir a uma balada com eles”,
conta.
Se em muitos casos os idosos são atraídos para fazer
intercâmbio com base na experiência de parentes mais
jovens, como netos, com Gentil aconteceu ao contrário. Ela
quem incentivou e levou a nora e a neta em sua segunda aventura
no exterior, em 2005. “Foi uma troca de conhecimentos. Eu
apresentei para as duas o que já conhecia e elas retribuíram
com sua fluência em inglês. Participamos dos passeios
da escola além de fazermos nosso próprio roteiro pelos
museus e teatros” conta ela, lembrando que na ocasião
sua neta tinha 17 anos e sua nora, 42 anos.
Empolgada com as experiências vividas, ela se prepara para,
pela terceira vez, voltar para o exterior. Dessa vez, junto com
seu sobrinho. “Seria esse ano, mas o visto dele não
foi aprovado. Mesmo assim não desisti e enviei uma carta
para o consulado contando sobre todas as minhas experiências
fora do país e consegui um visto válido por cinco
anos, para mim e meu sobrinho”, conta a professora. “Acredito
que para realizar um sonho não existe idade. Não tem
importância ser velha, usar bengala ou ser amparada por remédios”,
opina.
Para ela a parte financeira não deve ser grande empecilho.
“Hoje sou aposentada, mas sempre trabalhei, tinha contas a
pagar e mesmo assim economizei para me realizar. No exterior é
possível ter acesso a cultura gratuita ou com muitos descontos.
Falta de dinheiro não é motivo para ficar em casa,
mesmo no Brasil. Temos que participar da sociedade”, defende.
No Brasil, há uma tentativa de fazer com que aposentados,
pensionistas e pessoas com mais de 60 anos tenham acesso a tal oportunidade,
ao menos dentro do próprio país. Trata-se do Programa
Viaja Mais, que acaba de ser aprovado, e tem como objetivo principal
promover a inclusão social por meio do turismo. Esse público-alvo
será o primeiro beneficiado pelo programa do governo federal,
sendo possível o acesso a pacotes financiados e mais adequados
as possibilidades financeiras dos aposentados.
Postado
em 08/08/07
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