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Dificuldade de adquirir visto determina rota de intercambistas
Karina Costa
Perseguição com estrangeiros, ameaças e ataques
terroristas não provocaram queda de interesse nos estudantes
brasileiros na procura por programas de intercâmbio nos Estados
Unidos (EUA). A dificuldade de adquirir o visto - autorização
dada pelo consulado de um país para permitir a entrada de
um estrangeiro -, é o que motiva a mudança de destino
dos intercambistas para estudar ou trabalhar.
Uma publicação de 2002, do jornal The Boston Globe,
diz que mesmo com os ataques terroristas, as inscrições
de estudantes estrangeiros interessados em estudar em faculdades
e universidades norte-americanas se mantiveram estáveis.
E, dados da Embaixada dos EUA no Brasil, extraídos de um
estudo publicado pelo Institute of International Education (IIE),
confirmam: não houve queda na procura por intercâmbio
no país norte-americano. Foram 8.846 estudantes brasileiros
que, em 2001, viajaram para os EUA e 8.972, no ano seguinte dos
ataques.
Em números gerais, o levantamento aponta que entre os anos
de 2005 e 2006 foram registrados 564.766 de estudantes internacionais
no país. “O terrorismo assusta, mas não é
fator determinante na busca por intercâmbio”, argumenta
a gerente de produtos da Central de Intercâmbio, Luiza Vianna.
A demora para concessão do visto é que é o
problema, além do pacote de intercâmbio para o país,
que tem custo mais elevado”, argumenta Vianna.
A procura pode não ter caído, porém o EUA
não é o país de maior interesse dos intercambistas
há muito tempo. Segundo levantamento da Brazilian Education
& Language Travel Association (Belta), em 2002 os países
que mais atraíam estudantes foram a Austrália e o
Canadá. O último levantamento da instituição,
feito com estudantes que fizeram cursos no período das férias
de julho desse ano, mostra que despontam como as preferidas entre
os brasileiros cidades como Vancouver e Toronto, no Canadá,
seguido por Londres, no Reino Unido, Sidney, na Austrália
e, por último, Nova York, nos EUA.
“Se comparado aos EUA, no Canadá há mais facilidade
de tirar o visto, o preço para intercâmbio é
mais acessível e o país é considerado mais
seguro. Os EUA saem na frente em relação à
compra da moeda, que sai mais barata do que em países como
Nova Zelândia e Austrália, por exemplo”, explica
Vianna.
De modo geral, o número de brasileiros interessados em estudar
ou trabalhar no exterior tem aumentado. A Belta aponta que 42 mil
estudantes saíram do Brasil para fazer intercâmbio
em 2002. Em 2005, 54,6 mil brasileiros viajaram para o exterior
com essa finalidade. A maior procura é por cursos de idiomas
por terem duração mais curta, facilitando o encaixe
em período de férias.
“Na Central de Intercâmbio, Canadá, Inglaterra,
EUA, Austrália, Nova Zelândia e Espanha são
os destinos mais procurados por quem quer fazer curso de idioma.
Para High School, os países preferidos são EUA e Canadá”,
revela Vianna.
Postado em 22/12/06
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