Acampar possibilita trabalho social e economias para aproveitar a viagem

Julia Dietrich

Promover a inclusão, colaborar com o desenvolvimento da responsabilidade de jovens do mundo todo e ainda conseguir juntar um pouco de dinheiro para viajar depois do trabalho. Essas são algumas possibilidades que o trabalho em acampamentos internacionais geram para o intercambista.

Normalmente coordenados por organizações internacionais como o CISV, antiga Children’s International Summer Villages, ou a Associação Cristã de Moços (ACM), os acampamentos acontecem em diferentes países do globo, congregando jovens dos 11 aos 17 anos. Na perspectiva de promover maior integração, monitores com mais de 18 anos de idade são convidados a trabalhar ou atuar como voluntários nessas colônias de férias.

A agência de intercâmbios CI, por exemplo, desenvolveu um programa para levar jovens de 18 a 30 anos para trabalhar em acampamentos nos Estados Unidos. “É uma chance maravilhosa para o jovem se encontrar e aprender mais sobre as diferenças culturais no globo”, explica a supervisora operacional da CI Júlia Barbosa. “Lá, eles são chamados de embaixadores de seus países e levarão a cultura local para os colegas, da mesma maneira que os colegas de monitoria trarão suas próprias culturas”

Caso escolha uma opção semelhante, o intercambista terá de gastar uma certa quantia para viajar, mas receberá o suficiente pelo trabalho para custear a hospedagem e ainda guardar algumas economias. “Isso é bastante interessante, pois o visto do programa permite um mês a mais para que os monitores possam viajar”, conta Júlia.

O educador Bruno Andreoni, que foi monitor pela CISV em visitas de brasileiros a Finlândia e Israel, acredita que a chance de conhecer outras culturas, ao mesmo tempo em que administrava as dificuldades dos jovens, o ajudou muito em seu crescimento. “Foi muito complicado, pois aos 23 anos eu coordenava um grupo de 14 adolescentes na faixa dos 15 anos. Como os adolescentes moravam um tempo com famílias locais, além do acampamento, dificuldades sempre apareciam. Tive um caso até de um menino que ficava com fome, pois não sabia fazer um sanduíche e tinha vergonha de pedir ajuda para a família que o hospedava”, lembra.

Além disso, Andreoni, que mantém contato com os jovens até hoje, conta que sua percepção sobre o mundo, assim como a dos jovens que acompanhou, também mudou muito. “Quando chegamos em Israel, nós todos, os jovens e eu, nos surpreendemos ao ver que lá era um país como qualquer outro e que não seríamos atacados ou teríamos que fugir de bombardeios na primeira esquina”, explica.

Durante as viagens e os acampamentos, o educador conta que sempre trabalhou (como recomendação da organização) com grupos de discussão e atividades para a promoção de uma cultura de paz. “Trabalhávamos temas que partiam deles e essa estratégia funcionou muito bem. Discutíamos assuntos como álcool, drogas, sexo, até costumes locais e diferenças culturais”, resume.

Por isso, assim como outros programas de intercâmbio, é preciso estar aberto para entender e olhar para o outro. Os ganhos são inúmeros e o único requisito, seja em atividades voluntárias como o CISV, ou em comerciais, é preciso que o monitor esteja preparado para reconhecer sua própria juventude, sem perder seu senso de responsabilidade e maturidade. “Afinal, os pais deixavam os filhos sob a minha responsabilidade. E foi muito interessante voltar e ouvir ‘obrigado’ deles, pois, fundamentalmente, eles ficam muito felizes com o retorno dos filhos para casa, acrescidos de nova bagagem cultural”, avalia Andreoni.

No CISV os destinos são os mais diversos do globo e para diferentes faixas etárias. Já via CI, o monitor trabalhará especialmente com crianças e pré-adolescentes, inclusive com crianças com deficiência, em diferentes estados dos Estados Unidos, dependendo do tipo de acampamento. Para ambos, há um requisito: o conhecimento suficiente do inglês para comunicação e interação entre todos os envolvidos.

Postado em 27/02/08


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