| |
Jovem viaja por conta própria para conhecer novas culturas
Julia Dietrich
Pautados
pelo desejo de liberdade e com o objetivo de conhecer e investigar
novos lugares, cada vez mais jovens se lançam em viagens
pelo globo. Equipados com um mapa e uma mochila nas costas, eles
buscam os mais variados destinos, sempre com a perspectiva de estarem
sozinhos para realmente viver outras culturas.
Foi com essa
perspectiva que Arturo Hartmann, jornalista e estudante de História,
percorreu, em 28 dias, praticamente todos os 110 km² de Cuba
com um amigo. “Convivemos com pessoas maravilhosas e carinhosas
que, por terem acesso à educação, eram muito
cultas. Nós pudemos compreender aquela sociedade aos olhos
deles e vermos como eles nos observam”, comemora, lamentando
apenas não ter ido ao extremo leste da ilha.
Para ele, vivenciar
o cotidiano do povo cubano foi uma forma de desmistificar preconceitos.
“Nossos diálogos se davam além de debates políticos.
Nós conversávamos sobre futebol, música, sociedade”,
lembra, contando que em um dos dias da viagem foram chamados por
uma senhora que queria narrar seu apreço por Roberto Carlos
e Chico Buarque.
Sem muito planejar
o trajeto, o jovem e seu amigo foram de ônibus de Havana a
Guantánamo e voltaram para o destino inicial basicamente
de carona. “Ficamos hospedados em diferentes tipos de acomodação,
inclusive na casa de conhecidos. Em uma das cidades ficamos em uma
pousada, onde a diária era de apenas US$5”.
Segundo Suzana
Negrão, gerente de produtos da CI, muitas pessoas buscam
o “mochilão” pela sua fama de ser mais barato
que as viagens tradicionais. “Mas, nem sempre isso acontece.
Quando se pensa em maior flexibilidade nos destinos e organização
da viagem, muitas vezes acaba se gastando mais”, observa.
Jean Eduardo
Nicolau, recém-formado em direito, que realizou extenso “mochilão”
pela Europa, muitas vezes preferiu ficar em hotéis baratos
do que nos tradicionais albergues. Segundo ele, na maioria das vezes,
as acomodações eram mais caras do que pequenas pousadas
ou hotéis mais simples, que acabavam sendo mais confortáveis.
“Muitas pessoas fazem gênero quando viajam e buscam
ficar em albergues e usar a mochila, que muitas vezes é mais
pesada e dificulta a viagem. Tudo isso pela própria vontade
de serem vistos como mochileiros”, pontua, identificando esses
objetos como símbolos de identificação de determinados
grupos.
Diferentemente
de Hartmann, que viajou acompanhado apenas de um amigo, Nicolau
percorreu diversas cidades da Alemanha, Itália, Dinamarca,
Holanda, Inglaterra, entre outros países, utilizando os mais
diversos meios de transporte e diferentes companhias. Em alguns
momentos viajava com amigos, em outros com o pai – com quem
fez parte do trajeto -, com o primo e, em raras vezes, sozinho.
“Fui aos jogos na Copa de 2006 na Alemanha e com a derrota
do Brasil, acabei mudando o itinerário e passeando por outros
lugares”, lembra.
Negrão
conta que é possível fazer viagens do tipo “mochilão”
com as diárias de hotéis pagas já do Brasil.
“Sair daqui com uma estrutura programada não tira,
necessariamente, a liberdade da viagem, pois a pessoa ainda pode
escolher o horário de saída de determinado local e
não ter a pressão de seguir o que os tradicionais
grupos de viagem querem fazer”, observa.
Segundo a gerente
da CI, em pesquisa informal realizada pela empresa, foi pontuado
que os brasileiros preferem se hospedar em acomodações
com banheiro próprio, onde tenham maior privacidade. A segurança
e a garantia de uma viagem tranqüila são algumas das
preocupações centrais da maioria dos clientes.
Os destinos
mais comuns para esse tipo de viagem são os países
da Europa Ocidental, pela própria facilidade e oferta dos
meios de transporte. Mas há cada vez mais procura por viagens
ao leste europeu e América Latina. “Esses jovens buscam
conhecer e experimentar outras culturas, mas sem o olhar característico
do turista. Eles querem compreender as sociedades, vivendo o cotidiano
das pessoas”, lembra Negrão.
Para Nicolau,
viajar dessa maneira foi idílico, um sonho. “Difícil
é voltar para a realidade e perceber que aquilo durou só
um tempo”, lembra, contando que na “mochila”,
trouxe inúmeras recordações e a memória
de uma italiana que conheceu em uma das suas paradas.
Para Arturo
Hartmann, sua principal recordação foi constatar que
lá eles vivem com determinadas particularidades, mas que
não são diferentes dos brasileiros. “Nós
pudemos enxergá-los e realmente trocar experiências
durante esse período. E percebemos que, pela própria
experiência social em que vivem, eles têm muito a nos
ensinar”, conclui.
Postado em 27/06/07
|
|