Estudantes aumentam a procura por países exóticos

O jovem tem entre 15 e 18 anos e, antes de se entregar às exigências do vestibular, vai atrás do velho e bom intercâmbio estudantil. Conta com apoio e recursos dos pais e, então, escolhe o país: Estônia! Esquisito? Diferente, especialmente porque a maioria dos adolescentes deseja fixar o inglês ensinado nos cursinhos. O fato é que a procura por destinos exóticos vem crescendo nos últimos três anos. 'Houve aumento de 65% de jovens cuja primeira opção é ir a países de diversidade', diz Fabrícia Manoel, coordenadora de marketing da AFS, agência de intercâmbio.

Além de Estônia, outros lugares nada comuns são Letônia, Turquia, Tailândia, Hungria, Japão, Finlândia, República Tcheca, Macedônia, Bósnia e China. Eles correm por fora da lista dos tradicionais Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha. 'Se houvesse chance, eu faria tudo outra vez', anima-se Joyce Michelle, de 17 anos, há um ano de volta à Paraíba, depois de dez meses na Turquia. Lá, estudou e encantou-se com o país e a gastronomia. 'Eles misturam tantos temperos que você fica olhando e pensa que aquilo não vai dar certo. Mas o resultado é delicioso', diz.

Por que ir para regiões insólitas? 'É a descoberta do real sentido do intercâmbio, que não se limita ao aprendizado de línguas, mas também ao conhecimento de culturas', atesta Cláudia Solano, diretora do Youth For Understanding, onde a busca por esse tipo de país aumentou cinco vezes desde 2001. Ana de Mesquita Toledo, de 22 anos, foi para a Letônia pelo YFU com 20 anos. Lembra-se, emocionada, de um aniversário. 'Coincidiu de eu estar lá. Imagine que minha família, aparentemente reservada, fez uma festa-surpresa com bandeirinhas do Brasil penduradas pelo jardim inteiro!'

Um estudo da Central de Intercâmbio mostra que a opção pelo exotismo também tem a ver com visibilidade profissional. 'Aposta-se que estudar em países não-comerciais demonstra a futuros empregadores maior flexibilidade', diz Cláudia Solano.

O contato com culturas e climas diversos é mágico. Há interesse em ver o sol da meia-noite na Finlândia e a variedade artística influenciada por Oriente e Ocidente na Letônia e Estônia. Intercâmbios para países exóticos custam em torno de US$ 5.500 o ano letivo, enquanto os tradicionais saem por US$ 6.500.

Antes pouco procurada, a China ganha adeptos na onda de desenvolvimento econômico. A busca, aí, vai além da aventura. É investimento dos pais. E ai do filho que não voltar falando o bê-á-bá do mandarim.

(Época – 27/09/04)


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