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Intercâmbio contribui para autoconhecimento
Julia Dietrich
“O intercâmbio
é uma reinvenção e uma experiência terapêutica,
pois o jovem sai do casulo e passa por um processo de autoconhecimento.
Por isso, incentivamos muito que o intercambista, antes de viajar,
avalie quais as suas potencialidades, fragilidades e limites individuais
para que, ao chegar no destino, já tenha antecipado as prováveis
dificuldades que enfrentará”.
A explicação
é da psicóloga culturalista Raquel Fernandes que vê
no intercâmbio uma oportunidade única para o jovem
se entender melhor. “Observamos vários casos de pessoas
super tímidas ou que não se sentem capazes desabrocharem
em uma experiência internacional”, conta.
Por isso, a gerente de
produtos da CI e ex-intercambista Fabiana Fernandes insiste que
o sucesso do programa depende 90% da disponibilidade do jovem de
vivenciar uma nova experiência. “É importante
que o jovem se abra para vivenciar a outra cultura e aprenda com
ela”, observa. Foi o que aconteceu com ela, há 10 anos
em um intercâmbio de seis meses para uma cidadezinha de Nevada,
nos Estados Unidos. “Eles comiam cereal matinal e quase no
final da refeição davam o resto para o cachorro da
família. O problema é que era no mesmo prato”,
lembra.
Porém, após
muitas reclamações e choros de saudades de casa, Fabiana
decidiu que tinha que respeitar e entender sua nova família.
“Além de reconhecer as diversas coisas positivas que
eles tinham, passei a lavar a louça do café e garantir
que assim ela ficaria bem limpa”, ri. A experiência
deu tão certo que, na volta, ela decidiu seguir carreira
em agência de intercâmbios. “Como minha experiência
foi um excelente aprendizado e divertidíssima, decidi que
tinha que trabalhar para que outras pessoas tivessem a mesma chance
que eu tive”, complementa.
Entre as reclamações
mais comuns estão a comida, a limpeza e organização
da casa e a chamada “frieza” das pessoas na Europa,
Canadá e Estados Unidos. Entretanto, Raquel aponta que o
intercambista deve entender que o diferente não é
algo necessariamente negativo. “Eles falam em frieza, mas
na verdade os europeus e norte-americanos valorizam muito a privacidade”,
explica. Como contra-ponto, ela incentiva que o intercambista pense
sobre suas características como brasileiro no exterior. “Nós
falamos alto, tocamos muito nas pessoas, somos expansivos”,
considera. Dessa forma, embora haja diferenças culturais,
a convivência com o diferente pode proporcionar ricos momentos
tanto para o intercambista, quanto para o hospedeiro.
O estudante e presidente
do Rotex (sociedade de intercambistas rotarianos), Pedro Poncho,
é um exemplo disso. Entusiasta de atividades no exterior,
ele conta que “abriu sua cabeça” e passou a se
divertir muito conhecendo pessoas diferentes dele. “Foi o
melhor ano da minha vida”, comemora, lembrando sua experiência
de intercâmbio de um ano no estado de Nova Iorque, nos Estados
Unidos. Embora tenha tido suas rusgas e atritos com uma de suas
famílias hospedeiras, a experiência final lhe rendeu
muitas amizades.
“Aprender a conviver
com o diferente não é exclusivo do brasileiro no exterior.
Aqui, os inbounds (estudantes de fora que vêm estudar no Brasil)
têm muito também o que vivenciar. Como, em muitos casos
eles são de cidades pequenas no interior dos Estados Unidos
e Inglaterra, eles acabam tendo que aprender como sobreviver na
selva de uma cidade grande como São Paulo”, diz Poncho,
que realiza atividades de integração com os inbounds
mensalmente na capital paulista.
“Ai,
meu filho vai embora”
Assim como os intercambistas,
os pais e a família dos jovens sofrem com a partida e ficam
muito apreensivos com a nova vida dos filhos, longe da proteção
e conforto costumeiros. “Na maioria dos casos, vemos os pais
duvidando da capacidade dos filhos de se virarem sozinhos”,
observa Raquel.
Fabiana pontua que os
pais não devem telefonar ou ficar pendurados com a cria na
Internet. “É importante que, no início, eles
dêem espaço para os filhos se encontrarem sozinhos
e aprendam a conviver com a saudade”, explica. Por isso, Raquel
conta que depois de um processo de intercâmbio, o jovem se
sente super vitorioso. “Afinal, ele conseguiu passar por essa
experiência sozinho”, reitera.
Porém, para garantir
uma boa estada, Raquel lembra da importância de procurar uma
agência de intercâmbios com boa reputação
e tradição no mercado, lembrar de sempre respeitar
e aprender com as diferenças culturais e olhar para si mesmo
e suas características positivas e negativas. “Por
isso, é fundamental que o intercambista pense o porque da
viagem e o que ele busca com essa experiência. Aqueles que
vão por modismos ou porque o amigo foi são os primeiros
a voltar”, conclui a psicóloga.
Além
do acompanhamento que muitas agências de intercâmbio,
como a CI, oferecem, o intercambista e seus pais podem procurar
mais informações sobre a psicologia intercultural
e atendimento no site www.andreasebben.com.br.
Postado
em 30/01/08
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Tipo
de residência influencia a característica do intercâmbio |
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Histórias
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