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"Formação
continuada não é o remédio para tudo",
afirma educadora
Quando o assunto
é a baixa qualidade do ensino no Brasil, o que não
faltam são teorias para explicar o motivo. Uma delas, defendida
pelo próprio governo, aponta os professores como principais
culpados.
"Desde
o início dos anos 80 foi se definindo uma tendência:
a de que a má formação dos professores é
o motivo da baixa qualidade do ensino no país", disse
a professora da Faculdade de Educação da USP, Denise
Trento, em palestra realizada durante a 3 Semana de Educação.
Essa afirmação é fruto de um estudo realizado
pela professora dos programas educacionais aplicados no estado de
São Paulo de 1982 a 1993.
Para o governo,
a solução para resolver esse problema seria a formação
continuada de professores, que não estariam preparados para
ensinar. Segundo Trento, apontar a incompetência do professor
como principal causa é ter uma visão simplista do
problema. "A formação inicial do professor não
é a única causa responsável pelos resultados.
Uma abordagem mais crítica leva em conta as condições
em que os professores dão aula, pontos que não são
vistos pelas autoridades, pois levam a questões maiores",
argumenta.
O discurso da
incompetência usado pelas autoridades, como foi definido pela
professora, não ajuda a resolver o problema. "Alguns
educadores acreditam que o problema do ensino está nas suas
ações. Mas a escola é a entidade que precisa
ser melhorada, não apenas o professor", afirma Denise.
Melhorar a qualidade
da educação no país pode estar em algo nunca
tentado até agora: a formação de grupos compostos
por pais, alunos e professores que juntos visassem melhorar a escola.
Uma participação mais ativa daqueles que sentem na
pele a deficiência do ensino, pode ser uma maneira de mudar
a visão equivocada das autoridades em relação
ao trabalho dos professores, acredita Trento.
(Bianca Justiniano
- 27/05/02)
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