Fórum investe na formação de professores

Rodrigo Zavala

A arte pode ser inserida no cotidiano escolar e é relevante para o aprendizado das mais diferentes disciplinas. No entanto, a formação inadequada dos professores dificulta sua inclusão na prática diária de ensino, inviabilizando seu uso interdisciplinarmente. Esta pode ser a conclusão dos especialistas convidados para o 2º Fórum de Educadores, realizado na noite de ontem (06/10), em São Paulo.

Criado pelo Senac-SP, em parceria com a Universidade Presbiteriana Mackenzie e a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o evento pretende dar suporte teórico aos professores, além de articular uma rede de intercâmbio de informações para esses profissionais. “O Fórum é aberto a todos os interessados. Assim, tentamos envolver educadores dos mais diferentes níveis de ensino; do primário ao universitário. Principalmente, os da rede pública, mais carentes de cursos e oficinas”, explica Lia Gonzales, coordenadora do Senac-SP.

Com o tema Arte Educador, a segunda edição do evento discutiu quais são os grandes obstáculos para a inserção da arte na escola e como historicamente as políticas de ensino brasileiras negligenciaram seu potencial. “Nos anos 70, o professor de educação artística, como era chamado, deveria ser polivalente, ensinando música, pintura, teatro, dança. E, no fim, não ensinava nada com profundidade”, criticou Marina Feldmann, diretora da Faculdade de Educação da PUC-SP.

Segundo ela, com o passar dos anos essa prática não mudou. Para piorar, houve uma adoção maciça do que se convencionou chamar de “livre expressão”, em que o professor deixa o aluno utilizar livremente sua capacidade, sem qualquer metodologia aplicada ao processo. “É uma prática improvisada, espontânea. Os arte-educadores jamais foram ouvidos para a elaboração de parâmetros curriculares de ensino”, lembra a diretora.

E, de fato, essa negligência teve um impacto fatal na sala de aula. Explicando como a arte interfere na cultura escolar, o coordenador do mestrado em Educação, Arte e História da Cultura do Mackenzie, Marcos Rizzoli, afirmou que os professores não saem do óbvio quando falam de arte. “Geralmente passam o contexto histórico da obra, um pouco da biografia do autor e casos anedóticos envolvendo uma pintura, por exemplo.”

Durante sua palestra, Rizzoli questionou: “É possível pensar numa cultura escolar disposta aos experimentos de linguagem? Que não invista apenas nos efeitos e artifícios da arte?”. Afinal, em sua visão, a escola e os professores devem sempre
perceber, nos processos, a ligação com as artes. Como? Estabelecendo formas de comunicação entre o real e o imaginário, entre o pragmático e o sensível, ao se investir na aquisição de conhecimento transversalmente, de forma interdisciplinar.

Depois dessas provocações feitas pelos especialistas, o auditório foi dividido em três grandes grupos, para discutir formas de inserir a arte na sala de aula, tal como pregam Marcos Rizzoli e Marina Feldmann. As idéias e as experiências relatadas pelos participantes estarão disponíveis, nos próximos dias, no site do Senac, e servirão de base para uma publicação a ser lançada no começo de 2005.

   

 

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