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Falta de informação de
professor atrasa progresso de aluno
Pesquisa realizada
em seis escolas municipais de Feira de Santana, Bahia, pode ser
considerada referência no que tange a compreensão de
professores sobre distúrbios
articulatórios de seus alunos. O estudo, iniciado em junho
de 2000, identificou e analisou a prática pedagógica
de professores da 1ª série de Ensino Fundamental, em
classes que incluem crianças com distúrbios de fala.
Os resultados não poderiam ser mais desastrosos.
Segundo entrevistas
coletadas pela mestranda Marilda Carneiro Santos, da Universidade
Estadual de Feira de Santana (UEFS), a formação desses
professores é bastante deficitária. Apenas 14% possuem
nível universitário e 57% está com mais de
20 anos de magistério, sem estímulos no processo de
ensino aprendizagem.
Entenda-se aqui,
que distúrbios articulatórios são definidos
como presença de erros na articulação da fala,
em pessoas que apresentam patologia não comprometida pelo
sistema nervoso central. Assim, pode ser considerada a omissão,
substituição distorção ou acréscimo
de sons na palavra falada.
Partindo dessas
premissas, é fácil entender a preocupação
da fonoaudióloga Deborah Azambuja sobre o tema, principalmente
no que se refere à falta de conhecimento teórico-prático
do professor. “Por desinformação, eles não
conseguem perceber esse distúrbio de aprendizagem. Muitas
vezes acreditam que o aluno seja preguiçoso”, afirma
Deborah.
As consequências
disso para a vida educativa e social da criança são
mais do que sérias. Afinal, quanto mais se demora para diagnosticar
esse tipo de distúrbio, mais difícil se torna a recuperação.
Deve-se lembrar que a patologia é causada tanto por formação
dentária ou muscular irregular, quanto por problemas emocionais
sofridos pela criança.
Deborah acredita
que parte da culpa deva recair nos cursos de licenciatura e magistério,
que não possuem cadeiras específicas sobre o tema.
“Deveria haver uma formação em comunicação,
que não apenas informasse o futuro professor sobre essas
distúrbios, mas linguagem em sala de aula, para aprimorar
sua didática”.
A solução
imaginada pela profissional, que dá palestras gratuitas em
escolas públicas e particulares, é um acompanhamento
de profissionais de saúde – sejam eles trazidos pelas
escolas ou pelos próprios educadores. “Muitos professores
não sabem sequer usar corretamente a própria voz.
Outros, mesmo que saibam que seus alunos possuam alguma patologia,
não sabem o que fazer”, explica.
E a curto prazo,
este parece mesmo o caminho mais promissor. Tudo porque o Programa
Nacional de Educação Especial (PNEE) não considera
distúrbio de linguagem como uma das Necessidades Educacionais
Especiais, congratuladas na Lei de Diretrizes e Bases para a Educação
Nacional (Lei nº 9.394, de 20/12/96). Some-se a isso o fato
de que a série Diretrizes não inclui um exemplar específico
sobre o tema e a falta de estudos concernindo os distúrbios
de fala no contexto escolar.
(Rodrigo
Zavala – 15/03/2004) |