Faltam professores nas unidades rurais no MS

As dificuldades para chegar à região rural no estado do Mato Grosso do Sul e os baixos salários oferecidos pela rede municipal de ensino fazem com que muitos professores desistam de lecionar nesses locais.


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Faltam professores nas unidades rurais no MS

Alunos existem, o problema é encontrar professor que queira, por amor à profissão, largar o conforto da zona urbana e comer muita poeira até chegar a uma escola rural. Nas 14 escolas estaduais da zona rural, no Mato Grosso do Sul, o desafio é vencer a escassez de professor e convencer as prefeituras a colaborar no transporte escolar.

Em Corumbá, recentemente, os alunos de uma escola ficaram três meses sem ir à aula por causa da falta do transporte. Em Nioaque, das três salas localizadas em fazendas, só resta uma. As outras fecharam, porque os professores desistiram e, consequentemente, os alunos também.

Tentativas de melhorar o currículo escolar foram feitas, as disciplinas são voltadas para a atividade do campo, como cooperativismo, cultura de planta e adubação orgânica, no entanto o que continua desestimulando o professor é o salário, R$ 375 para os iniciantes e R$ 474 para quem tem nível superior. Nem mesmo o adicional por difícil acesso, 10% sobre o salário, impressionou quem desistiu.

Na rede municipal de ensino (Reme) de Campo Grande, o salário é mais atraente, varia de R$ 1 mil a R$ 1,3 mil, porque tem 50% de adicional. "Não temos problemas para conseguir professores", revela a secretária municipal de Educação, Maria Nilene Badeca da Costa. Para atraí-los ainda mais à rede, a prefeitura construiu, na escola mais distante das oito que possui, dois apartamentos.

Na Escola Municipal 8 de Dezembro, dos oito professores, sete moram na escola. O apartamento é pequeno, mas eles apontam mais vantagens do que desvantagens em morar e trabalhar a duas horas de Campo Grande, sendo uma hora de estrada com muita poeira. "As salas têm menos alunos, eles são mais educados e eu me sinto mais útil no crescimento da educação no meu País", enumera o professor de educação física Roberto José Carlos, 32 anos.

A professora Angela Dias, 26 anos, soma às vantagens do colega a idéia de estar longe do estresse do trânsito e do consumismo da zona urbana. "Você economiza. Não tem onde gastar", brinca.

No entanto, a vida de professor não são apenas flores. A escola às vezes tem falta de energia, quando chove alunos e professores ficam ilhados, tem estudante saindo e entrando o ano inteiro e a distância da família dói no peito. "Vejo minhas três filhas e meu marido uma vez por semana", conta a professora Cira Clair, 36 anos.

(Correio do Estado - MS - 15/10/02)

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