Professor precisa refletir sobre seu fazer

“O educador precisa refletir sobre as suas práticas, sobre as aulas, sobre a escola, enfim, sobre tudo o que estiver a sua volta”.

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Cultura Inglesa e PUC capacitam professores de inglês da rede pública

Parceria capacita professores de inglês da rede pública para formar agentes multiplicadores. O programa já formou gratuitamente cerca de 3,8 mil docentes e cerca de 380 mil alunos em todo Estado de São Paulo.

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Professor precisa refletir sobre seu fazer

Grasiela Cardoso

Refletir sobre a própria ação e sobre a prática dos demais são fatores de total importância para a compreensão das atividades dos docentes. Entretanto, essa tarefa para muitos educadores não é nada fácil, pois requer deles muito esforço, dedicação e motivação pessoal. Essa foi a principal proposta do debate: “A escola no cinema: reflexões sobre o ser professor a partir de filmes”, realizado hoje (15/10) no Senac em São Paulo.

Segundo a professora de Letras da PUC (Pontificia Universidade Católica), Mônica Mayrink, para o educador conseguir elaborar uma boa aula é preciso que ele venha a analisar a metodologia aplicada. “O educador precisa refletir sobre as suas práticas, sobre as aulas, sobre a escola, enfim, sobre tudo o que estiver a sua volta”, afirma.

Com a ajuda de um filme assistido durante o encontro, os docentes levantaram os principais problemas enfrentados dentro da sala de aula: o processo avaliatório, improvisos durante as aulas e principalmente desmotivação dos alunos.

Segundo Mayrink, a prática reflexiva deve ser realizada constantemente para melhor desenvolvimento da relação entre o professor e o aluno. “Quando o professor analisa suas próprias ações e aprende a ensinar de forma instânea em qualquer disciplina, os próprios alunos se sentirão motivados e o aprendizado fluirá com maior facilidade”.

 

   

Cultura Inglesa e PUC-SP ajudam a aprimorar professores de inglês da rede pública

Em 2003, a professora Andréa Nogueira passou a dar aulas diferentes para seus alunos de ensino médio na Escola Estadual Professor Celso Piva, em Guarulhos/SP. Professora de inglês, ela começou a trabalhar com anúncios de emprego e com aulas direcionadas ao interesse profissional dos estudantes. "No início, os alunos estranharam um pouco aquele método que exigia a participação ativa deles em sala de aula, mas em curto espaço de tempo, começaram a ter mais interesse", conta Andréa.

Tema de sua dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação e Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem (LAEL), da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o novo método de ensino de Andréa é resultado de seus três anos de aprendizado no projeto "A Formação Contínua do Professor de Inglês", desenvolvido pela Cultura Inglesa de São Paulo em parceria com a PUC-SP. O programa teve início em 1995 e já formou gratuitamente cerca de 3,8 mil docentes e cerca de 380 mil alunos em todo Estado de São Paulo - o equivalente a 5% da rede pública da região.

A iniciativa foi idealizada pela professora Maria Antonieta Celani, vice-presidente do Conselho Administrativo da Cultura Inglesa e titular do Departamento de Inglês da PUC-SP e do LAEL, e é patrocinada pela rede de escolas de idiomas. O objetivo é oferecer capacitação e aprimoramento aos professores de inglês da rede pública e formar agentes multiplicadores ativos que reflitam sobre seu trabalho.

As inscrições podem ser feitas nos meses de julho e dezembro, após anúncio no Diário Oficial do Estado. Os interessados fazem uma prova classificatória de inglês e são encaminhados para cursos com duração de seis meses a três anos, de acordo com suas necessidades. As aulas de aprimoramento da língua inglesa e extensão cultural são dadas nas filiais da Cultura Inglesa do Tatuapé, Santana e Saúde, na capital paulista.

O outro módulo de "A Formação Contínua do Professor de Inglês" é o aprimoramento profissional do docente. Simultaneamente ou não às aulas de inglês, o professor pode fazer o curso "Reflexão sobre a ação: o professor de inglês aprendendo e ensinando", dado por educadores da PUC-SP em três semestres. Além de assistir a aulas teóricas sobre o processo de aprendizado e pedagogia, os profissionais da rede pública de ensino participam mensalmente de oficinas pedagógicas de professores que já concluíram esses cursos.

"Estamos formando um núcleo de professores na rede pública que desenvolve novos projetos pedagógicos, escreve artigos e cria materiais de referência no ensino de inglês", afirma Maria Antonieta Celani. O exemplo da professora Andréa Nogueira é um entre vários. Estimulado pela ação da Cultura Inglesa, em 2003, o governo do Estado oferece bolsas para professores que desenvolvem projetos de pesquisa sobre o ensino de inglês. "O programa nos oferece um espaço importante para refletirmos sobre nosso trabalho em sala de aula. Seria ótimo que os professores da rede pública de outras matérias tivessem a mesma oportunidade", defende Andréa.

Ensino a distância

Em 1999 a Cultura Inglesa deu início ao programa "Teachers' Links", visando expandir a ação para o interior do Estado. A iniciativa trabalha com o uso da internet, leitura, compreensão e conscientização sobre as possibilidades de uso de materiais e técnicas de ensino. As aulas de idioma são realizadas pelo site do programa.

Aos sábados, os professores comparecem à escola para o curso presencial de inglês oral. Cerca de 300 professores de Araraquara, Assis, Carapicuíba, Osasco, Cotia e cidades do ABC paulista já passaram por essa formação. "Além do aprimoramento lingüístico, os professores do 'Teachers' Links' têm acesso a materiais na web que são utilizados na sala de aula", explica a professora da PUC-SP Heloísa Collins, coordenadora do Programa.

A partir de 2005, o programa deve ser ampliado aos núcleos regionais de tecnologia do Governo do Estado. Segundo Heloísa Collins, com isso, a iniciativa pode crescer até dez vezes. Com a novidade, as aulas presenciais aos sábados devem ser substituídas por videoconferências.

(Instituto Ethos)

   

 

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