Curso para educadores de escolas públicas enfatiza a importância dos Direitos Humanos

Na semana passada, o Núcleo de Estudos da Violência (NEV), a Escola do Futuro e o Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores (LARC) da USP realizaram a última aula presencial do curso a distância: Violência, Direitos Humanos e Educação para a Cidadania.

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Curso para educadores de escolas públicas enfatiza a importância dos Direitos Humanos

Na semana passada, o Núcleo de Estudos da Violência (NEV), a Escola do Futuro e o Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores (LARC) da USP realizaram a última aula presencial do curso a distância: Violência, Direitos Humanos e Educação para a Cidadania.

O curso, direcionado a educadores da rede pública de ensino, tratou da importância em aplicar os Direitos Humanos na escola como meio de diminuir a violência. O curso atingiu 200 educadores em sua primeira turma e a próxima terá o mesmo número de alunos.

Segundo Sérgio Adorno, coordenador do Núcleo de Estudos da Violência, o curso nasceu com o objetivo de promover uma reflexão sobre o assunto, de ampliar o conhecimento por parte dos educadores e diminuir a resistência sobre a eficácia desses direitos na formação de todos os alunos.

A aula final se caracterizou por uma mesa redonda, onde participaram o vice-prefeito de São Paulo Hélio Bicudo, o Promotor Doutor Clilton Guimarães, o coordenador do Núcleo de Estudos da Violência Sergio Adorno, e os educadores Paulo Sérgio Pinheiro, Eduardo Brito, Guilherme de Almeida e Beatriz Rezéc.

Para Helio Bicudo, a propagação e o respeito aos direitos humanos cabe ao professor. "A escola reflete a sociedade, e o professor tem um papel de formador de opinião nessa sociedade", diz o vice-prefeito.

Sérgio Adorno enfatiza que, apesar disso, há grande dificuldade entre os educadores em compreender a defesa dos direitos humanos, pois quase sempre relaciona-se direitos humanos com impunidade. "Direitos humanos não é impunidade, e sim, a manutenção da dignidade de todos os indivíduos", diz.

Para Paulo Sérgio Pinheiro, isso acontece porque os especialistas em Direitos Humanos defendem os direitos das classes mais vulneráveis. "Damos prioridade as regiões mais pobres, porque é lá que está o grosso da violência " diz.

(Cássia Gisele Ribeiro - 16/07/03)

 

 

 

Para promotor, falta de informação faz com que Direitos Humanos sejam desrespeitados

O Promotor Doutor Clilton Guimarães falou sobre o desconhecimento do Estatuto da Criança e do Adolescente por parte das Escolas e da justiça brasileira. "Grande parte dos professores e cidadãos acredita que a maioridade penal ser acima de 18 anos torna-os mais vulnerável a violência", diz.

Segundo ele, apesar de o jovem hoje estar bombardeado de informações - o que não significa que ele seja bem informado - e acabar crescendo cada vez mais cedo não faz sentido tratá-lo como adulto.

O promotor explica que, na realidade, deve sim haver medidas que tenham como objetivo coibir delitos entre crianças e adolescentes. "No entanto, o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê esse tipo de delito como ato infracional, e não como crime", explica.

"O adolescente não pode ser submetido à penas que promovam sua exclusão social, levando-o para um mundo de onde ele dificilmente poderá sair, diz. Para ele, o ECA é um dos estatutos mais avançados do mundo quando se trata de infância e adolescência.

O promotor conta que existem os regimes de semi-liberdade e o da internação em alguns casos. No entanto, essas medidas devem ter o objetivo de atuar como meio, e não como fim, como geralmente ocorre. Guimarães explica que as medidas de reinserção são mais eficazes com o adolescente junto à sua família.

"Infelizmente, os direitos continuam sendo desrespeitados", diz. Segundo ele, a visão distorcida que a sociedade tem dos Direitos Humanos faz com que esses Direitos sofram um boicote por parte do Estado. "Um juiz pode se tornar juiz sem nunca ter lido uma cláusula do Estatuto da Criança e do Adolescente, já que o assunto não é exigência nos concursos públicos", desabafa.

Para Guimarães, esse desconhecimento faz com que sejam adotadas medidas atrapalhadas, como por exemplo, a obrigatoriedade do adolescente em liberdade assistida a frequentar a escola. "A escola deixa de ser um direito do estudante e se torna uma punição", diz. Além disso, a falta de preparo da escola para lidar com todo tipo de aluno faz com que esse aluno seja discriminado, deixando de ser um aluno e sendo tratado como o LA", diz.

(Cássia Gisele Ribeiro - 16/07/03)

 

 

 

 Projeto no Jardim Ângela adotou medidas de resolução de conflitos entre alunos e professores

O acadêmico Eduardo Brito, um dos coordenadores do curso, falou sobre uma intervenção feita por ele e pelo Núcleo de Estudos da Violência em uma escola do Jardim Angela, uma das regiões mais violentas de São Paulo.

O projeto nasceu com o objetivo de encontrar soluções pacíficas para os conflitos existentes na escola, sejam eles entre professor e aluno ou entre os estudantes. Segundo o educador, houve uma imensa dificuldade na implantação do projeto.

"A Escola estava completamente fechada para uma relação respeitosa entre o aluno e o professor", conta. Segundo Brito, não havia interesse nenhum por parte da escola em solucionar esses conflitos, porque já não se viam mais os conflitos como um problema, e sim como algo que fazia parte do cotidiano escolar.

Eduardo conta que o primeiro, e mais difícil trabalho foi fazer com que os conflitos nas salas de aula causassem um "estranhamento" nos professores. Sendo assim, eles se tornaram um canal para discussão e resolução dos problemas.

Além de falar sobre o projeto, o acadêmico falou também sobre o compromisso do professor com seus alunos. "Falta formação para os professores, os salários são baixos, há pouco incentivo. No entanto, um professor não pode usar a miséria do estado para se tornar medíocre", diz.

Para Brito, falta um compromisso ético do estado, como também de muitos professores. "Não é porque ganho cinco reais por aula que minha aula vai valer esse preço". E hoje, o aluno de escola pública tem consciência de que está recebendo uma educação inferior as outras, e se sente excluído".

(Cássia Gisele Ribeiro - 16/07/03)