|
Faltam 200 mil professores no ensino médio
Falta professor
no ensino médio brasileiro. O déficit maior está
entre os profissionais que ensinam as disciplinas de física,
química, biologia e matemática. São 200 mil
a menos do que o necessário em todo o País, segundo
o novo Secretário do Ensino Médio do Ministério
da Educação (MEC), Antonio Ibañez.
Leia
mais:
Faltam 200 mil professores no ensino médio
Falta professor
no ensino médio brasileiro. O déficit maior está
entre os profissionais que ensinam as disciplinas de física,
química, biologia e matemática. São 200 mil
a menos do que o necessário em todo o País, segundo
o novo Secretário do Ensino Médio do Ministério
da Educação (MEC), Antonio Ibañez. "É
traumatizante ver que uma criança sai da escola com deficiências
na aprendizagem nessas áreas porque não tem professor",
disse.
O problema,
que já é urgente, pode ter proporções
cada vez mais catastróficas com o passar do tempo. Nos últimos
oito anos, o número de alunos no ensino fundamental, nível
anterior ao médio, cresceu de 92% para 97% do total das crianças
em idade escolar. São atualmente 35 milhões de estudantes,
com índices de conclusão também cada vez maiores.
O ministro da Educação, Cristovam Buarque, declarou
recentemente que a explosão de alunos no antigo colegial
- hoje com quase 9 milhões de adolescentes - tornou-se inevitável.
Para atendê-los
são 468 mil professores no País, divididos entre os
três anos do ensino médio. "Além dos salários
baixos, eles passam a vida toda dando aulas em uma sala com 40 adolescentes
sem nenhuma expectativa de melhora na carreira", diz Ibañez.
Para mudar esse
quadro, o novo secretário sugere algo só visto em
colégios de ponta das grandes capitais brasileiras: estimular
a pesquisa entre professores do ensino médio. Sua linha de
pensamento é a seguinte: como ocorre nas universidades, a
publicação de artigos e a presença em congressos
levantariam a auto-estima e valorizariam o profissional.
A proposta prevê
justamente parcerias com instituições do ensino superior,
para que os professores aprendam metodologia de pesquisa. "Seria
preciso diminuir a nossa carga horária de aulas e permitir
que parte do tempo de trabalho pudesse ser passado nas universidades,
mas sem que o salário sofresse", diz a professora de
química Marilda Bardal, que há 22 anos dá aulas
na rede estadual de ensino paulista e em escolas particulares.
Fora o desprestígio
do professor, Marilda sente a desvalorização se acentuar
na disciplina em que trabalha. "Já há vestibulares,
como o da FGV, que nem fazem mais provas de química. Além
disso, as aulas do ensino médio mostram apenas o lado ruim
da química, como a destruição do meio ambiente,
por exemplo. É claro que os alunos não se interessam
pela matéria."
O problema se
repete nas áreas de física, matemática e biologia,
segundo o secretário. "O número de professores
que se formam nas universidades para dar aulas nessas disciplinas
é mínimo", afirma. Na Universidade de São
Paulo (USP) a licenciatura, na maioria das vezes, é uma das
opções a ser feita durante os cursos de graduação
das quatro áreas.
"O que
acontece é que o estudante acaba optando pelo bacharelado
porque pode trabalhar em empresas privadas", diz Ibañez.
Em 2001 - últimos dados disponíveis -, formaram-se
na USP 172 professores nessas áreas, sendo 52 em física,
42 em biologia, 68 em matemática e apenas 10 em química.
Mesmo com o
baixo número de formandos, a professora da Faculdade de Educação
da USP, Myriam Krasilchik, já identifica um crescimento na
procura pela licenciatura. "O professor tem sempre emprego,
mesmo não sendo um emprego brilhante", diz.
Apostando na
percepção desse quadro, a USP abriu este ano dois
novos cursos de Licenciatura em Química - em que não
há a opção pelo bacharelado. Foram oferecidas
70 vagas no total e se inscreveram 192 pessoas, ou seja, no vestibular
mais concorrido do País, a relação candidato-vaga
foi de apenas 2,7 já na primeira fase.
O desafio hoje
é estimular mais e mais os jovens a acreditar na carreira
de professor. O novo secretário espera que medidas previstas
no plano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
como o aumento de 5% para 7% do PIB destinado à educação
e a criação do Fundo de Desenvolvimento do Ensino
Básico (Fundeb), tragam mais verbas para sua pasta.
Ibañez
ainda gostaria de dar bolsas em universidades para quem optar por
estudar licenciatura. Outra idéia é organizar programas
em parceria com universidades para formar professores, seja com
ensino presencial ou a distância. "Não é
nada fácil, mas não se pode dizer que esse problema
é apenas dos Estados (que, de acordo com a lei, são
responsáveis pelo ensino médio). Precisamos traçar
um plano e definir quantos professores poderemos formar em quatro
anos."
(Agência
Estado - 19/01/03)
|