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SP precisará de 60 mil novos
professores
Em julho deste ano, foi sancionada
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a lei que define
o piso salarial nacional para os professores do Magistério
público da educação básica. O projeto
que originou a lei é de autoria do senador Cristovam Buarque
(PDT-DF), ex-ministro da Educação, e fixa em R$ 950
o salário mínimo para educadores de todo o país,
relativo à uma jornada de trabalho de 40h semanais.
Além do piso, a lei também
instituiu o limite máximo de dois terços da carga
horária para desempenho de atividades de interação
dos educandos. O um terço restante deve ser reservado a hora
de trabalho pedagógico coletivo (HTPC), ou seja, para atividades
que não podem ser feitas nos horários de efetivo trabalho
com alunos, como preparação de aulas, avaliação
de trabalhos e correção de provas.
Atualmente, em São Paulo, 20%
da jornada de trabalho é reservada à HTPC (8h), no
entanto, com a nova composição, esse índice
subiria cerca de 13%, e, com isso, faltariam professores para atender
os alunos em horário de aula.
Em um levantamento realizado pelo Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese), seção Apeoesp, para suprir essa lacuna de
professores, seria necessário que o estado de São
Paulo contratasse, nos próximos anos, 60 mil novos professores
para a Educação Básica, que inclui os ensinos
Infantil, Fundamental e Médio. Com essa medida, o impacto
orçamentário para a Secretaria Estadual de Educação
previsto é de, aproximadamente, R$ 1,3 bilhões.
A aplicação da lei deverá
acontecer de forma gradual, em todo o país, até 2010,
mas a Apeoesp já aponta alguns pontos positivos da implantação
da nova norma. Segundo a presidente do sindicato, Maria Izabel Azevedo
Noronha, uma das principais reclamações dos professores
estaduais é em relação ao desgaste pelo tempo
despendido em sala de aula. “A maior dificuldade que o professor
enfrenta hoje é essa jornada de trabalho dentro da sala de
aula. [Com a lei] o professor vai estar mais estimulado, hoje ele
tem muito desgaste. E a perspectiva é melhorar a qualidade
de ensino, pois o professor vai ter mais tempo, por exemplo, de
preparar suas aulas”, diz.
Com base no levantamento realizado
pelo Dieese/Apeoesp, Maria Izabel diz que, como a jornada estabelecida
pela lei faz com que o professor passe 27h em sala de aula e 13h
com HTPC (ante as respectivas 32h e 8h atuais), a idéia é
que, a cada dois professores que hoje trabalham na rede estadual,
seja necessário que um novo seja contratado para que as aulas
não sejam prejudicadas. O número de professores passaria,
então, de 241.362 para 301.600.
A presidente também acredita
que a Secretaria de Estado da Educação tem o valor
estipulado (R$ 1,3 bilhão) para a contratação
desses profissionais, já que, segundo ela, o órgão
tem R$ 6 bilhões em caixa.
Ela ainda enfatiza que a contratação de mais professores
trará um impacto bastante positivo na qualidade da educação
estadual e que o mercado possui esse quantitativo de profissionais.
(Jornal dos Concursos)
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