Professores passam férias na sala de aula

Educadores buscam durante o recesso escolar cursos de formação continuada para aperfeiçoar currículos e “turbinar” suas aulas.

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Professores passam férias na sala de aula

Os meses de férias escolares não significam descanso para muitos professores, seja na rede pública, seja na rede privada de ensino. Um número considerável de educadores busca durante esse período de recesso cursos de formação continuada para aperfeiçoar currículos e “turbinar” suas aulas. No entanto, a realidade dos professores de escolas públicas, principalmente os da rede estadual de ensino, são exemplos da desvalorização do educador .

Sem tempo para cursar programas durante o ano letivo, professores de escolas estaduais disputam as concorridas aulas do projeto Construindo Sempre, da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. Desenvolvido por docentes da Universidade de São Paulo (USP), o curso possibilita aos professores-alunos o conhecimento e a utilização de diversas modalidades de mídias interativas, que poderão, no futuro, ser incorporadas à sua docência.

Durante dezembro deste ano e janeiro de 2004, os educadores que se inscreveram poderão participar de requalificações nas disciplinas de matemática, português e biologia. Áreas reconhecidamente problemáticas na educação pública brasileira.

No entanto, na visão do professor Carlos Ramiro, presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), embora seja fundamental a formação continuada, promovê-las durante o recesso escolar é um crime contra o professor. “O mês de janeiro deve ser usado para descanso. Educadores precisam de férias como qualquer outro trabalhador”, critica.

Segundo ele, os professores públicos deveriam ter cursos como esses durante o ano letivo, em horários destinados à pesquisa e aprimoramento. Isto significa dizer que, se o profissional trabalha 40 horas por semana, algumas horas – subvencionadas pelo governo, diga-se – devem ser direcionadas para trabalhos de qualificação. Essa é uma das lutas mais importantes da Apeoesp.

“Hoje, se o professor quiser fazer qualquer curso durante o ano, o Estado desconta de sua folha de pagamento as faltas. Por isso, cursos que o governo oferece são todos durante os fins de semana e feriados. Não há tempo para se dedicar à família ou ao lazer”, conta o presidente da Apeoesp.

Essa realidade muda radicalmente quando se fala em escolas particulares. O Colégio Nossa Senhora das Graças, zona oeste de São Paulo, se destaca por isso. Na instituição, os professores decidem quando e qual curso oportunamente fazer – integralmente pago pela escola. “Acreditamos que isso trará mais benefícios à escola. Ao aperfeiçoar o currículo do professor, melhoramos o currículo da própria instituição”, afirma Eduardo Castor, diretor do colégio.

A idéia de agregar valor à instituição também é seguido pelo Colégio Bandeirantes, que há anos auxilia professores na busca por uma melhor qualificação. Nesse sentido, os professores possuem chances durante todo o ano de se inscrever em cursos seja no Brasil, seja no exterior, subsidiados pela instituição.

Espera-se o mesmo tipo de comportamento do governo – municipal, estadual e federal - em relação aos professores de escolas públicas. Para Carlos Ramiro, isso está longe de acontecer. “Aliás, para começar, deve-se melhorar a formação inicial que ainda é muito ruim. Mesmo nas universidades públicas, com toda a sua excelência, a realidade acadêmica está muito longe da sala de aula. Isso deve mudar”, critica Carlos Ramiro.

A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo não possui qualquer curso voltado à capacitação de professores durante o período de recesso escolar.

(Rodrigo Zavala)