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Professores brasileiros ensinam
português no Timor Leste
O governo brasileiro
enviou professores ao Timor Leste para ensinar docentes a usar o
português em sala de aula. Embora pareçam aventureiros
embarcando para a África, esses viajantes fazem parte de
uma missão oficial que tem como objetivo ajudar na reconstrução
do Timor Leste.
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Leste
Na mala um carregamento de repelentes de insetos,
na mão comprovantes de vacinas contra moléstias tropicais
e no bolso um dicionário do exótico dialeto tétum.
Embora pareçam aventureiros embarcando para a África,
esses viajantes fazem parte de uma missão oficial do governo
brasileiro. São professores de todo o país recrutados
para ajudar na reconstrução do Timor Leste.
Amanhã e depois, despedem-se do Brasil no
aeroporto de Guarulhos. Vão passar um ano nesse país
menor que Sergipe cravado entre a Indonésia e a Austrália
ensinando os professores locais a usar o português na sala
de aula.
Assim como o Brasil, o Timor Leste foi colônia
de Portugal, mas turbulências históricas impediram
o português de ser a língua corrente. Uma semana após
a independência, em 1975, a vizinha Indonésia anexou
o Timor e, para cimentar a dominação, impôs
o indonésio como idioma. O português foi lentamente
abandonado.
Um referendo em 1999 decidiu pela independência.
Português e tétum voltaram a ser as línguas
oficiais, mas hoje pouco mais de 5% da população fala
o idioma de Camões. E fazer com que a nova geração
aprenda a língua é uma tarefa hercúlea quando
nem os professores falam o velho idioma.
É por isso que a capacitação
em português dos professores timorenses será o pilar
do trabalho dos 47 brasileiros que embarcam nesta semana para a
capital, Dili. Eles se juntarão aos 150 portugueses que já
estão lá com o mesmo objetivo. Essa é a terceira
missão após a assinatura, em 2002, do acordo de cooperação
entre Brasil e Timor. As primeiras missões ajudaram a traçar
as diretrizes educacionais básicas do país asiático.
O grupo que vai para o outro lado do mundo é
heterogêneo. Inclui de professores de colégio (de disciplinas
como português, física e biologia) a pesquisadores
com pós-doutorado. Gente do Brasil inteiro enfrentou uma
seleção mais concorrida do que vestibular de medicina:
a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior), que é ligada ao Ministério
da Educação, recebeu a inscrição de
13 mil interessados nas 50 vagas.
Ainda assim, três dos selecionados desistiram,
dois alegando problemas familiares e um dizendo não ter recebido
informações suficientes sobre o trabalho.
Dos 47 que embarcam nesta semana, muitos não
hesitaram em interromper a carreira profissional ou acadêmica
no Brasil. É o caso de Tarcísio Botelho, 32, que após
uma semana de trabalho abandonou um projeto de alfabetização
de filhos de catadores de papel em São Paulo.
"Sei que no ano que vem volto sem emprego,
com uma mão na frente e outra atrás. Mas o idealismo
de ajudar a reconstruir um país falou mais alto"
Ele não é o único a dizer que
a bolsa mensal de US$ 1.100 (quase R$ 3.000) não foi o grande
chamariz. "Sempre quis fazer como o pessoal da Cruz Vermelha,
recuperar países destroçados", conta a professora
Jerusa Garcia, 48, referindo-se à guerra civil após
o referendo de 1999 provocada por milícias pró-Indonésia,
que custou vidas e a infra-estrutura do país.
O valor dessa missão oficial para os cofres
brasileiros, segundo a Capes, é de R$ 2,8 milhões.
Uma das preocupações da professora
Ana Lúcia Souto, 38, é o vocabulário que vai
usar ao falar com os timorenses. "Não vai ser como dar
aula no Brasil. As palavras terão que ser bem pensadas, não
poderão ser coloquiais".
O ministro da Educação do Timor, Armindo
Maia, que dará as boas-vindas aos brasileiros no aeroporto
de Dili, trata de tranqüilizá-los. "O jeito de
falar não atrapalha. Tem sido até mais fácil
para os timorenses se adaptarem ao português brasileiro. A
vossa pronúncia é mais aberta", explica ele,
com sotaque lusitano.
(Folha de S. Paulo – 28/03/05)
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