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Portadores
de deficiência têm acesso à Internet
A Rede Saci
(Solidariedade, Apoio, Comunicação e Informação),
que trabalha na inclusão social de portadores de deficiência,
inaugura dois Centros de Informação e Convivência
(CICs) em Ribeirão Preto (SP).
As salas destinam-se
a deficientes físicos e visuais interessados em navegar na
Internet. Nelas, a rede disponibiliza programas especiais, produzidos
pelas universidades parceiras, e promove o contato entre deficientes,
familiares, profissionais, formuladores de políticas públicas,
instituições de ensino e pesquisa e organizações
da sociedade civil.
Dos dois monitores
contratados para os novos centros, um é deficiente visual.
Os interessados
em utilizar os CICs devem ligar para a FFCLRP (USP) no telefone
(0xx16) 602-3730, com Izilda, ou 610-5138/1408, na Prefeitura Municipal
de Ribeirão Preto. Mais informações: (0xx16)
602-3767, com a professora Eucia.
Confira o site
da Rede Saci
Trabalho
Eficiente
Deficientes,
sim. Eficientes também. As empresas estão deixando
o preconceito de lado aumentando o número de vagas, para
portadores de deficiência física, em cumprimento á
Lei de Reserva de Vagas de 1991, que obriga as companhias a comporem
parte de seus quadros com profissionais. E elas não têm
nada do que reclamar.
A maior parte
das vagas está na área de atendimento ao cliente.
Porém, essa opção, feita pelas próprias
empresas, vem se modificando: cresce a oferta no setor administrativa.
Para se ter uma idéia a Gelre, empresa de recrutamento e
seleção, dispõe de 206 vagas, em São
Paulo, para diversas funções (auxiliar, arquivista,
fiscal, caixa, repositor de estoque, analista de crédito,
advogado, etc). Para ser contratado, é preciso ter, no mínimo,
formação de nível médio.
A fim de aproveitar
as oportunidades, a Associação Niteroiense dos Deficientes
Físicos (Andef) e o Balcão de Emprego de Deficientes
(BED) promovem parcerias com empresas e encaminham profissionais
para diversas companhias.
"Além
disso, temos cursos gratuitos de informática que ajudam na
capacitação", diz Anderson Lopes, gerente da
Andef.
Foi por meio
da Andef, por exemplo, que a Light contratou 150 portadores de deficiência
física para o call center e a Telemar selecionou 200 pessoas
para vender cartões telefônicos. Na Flumitrens, outras
28 também foram chamadas para ocupar os cargos de recepcionista,
digitador, ascensorista e porteiro.
"A deficiência
é motora e as pessoas realizam suas atividades perfeitamente",
ressalta Andreson, que é medalhista da Paraolímpiada
de Sydney em lançamento de discos.
Ao contratar
um profissional, a empresa não está levando em conta
seu problema físico. "O mais importante é ter
a pessoa certa na vaga certa", lembra a consultora Lúcia
Pinho, da Manager.
Para Bárbara
Nunes, auxiliar administrativa da Ponte Rio-Niterói, a empresa
representou sua entrada no mercado de trabalho. Lá, sua primeira
tentativa foi no setor de atendimento. Mas, como não se identificou
com o trabalho, foi transferida para administração:
"No início,
fiquei nervosa. Afinal, era meu primeiro emprego. Agora, estou satisfeita
na nova função. Fui bem recebida e isso me ajudou",
conta Bárbara.
Mas nem sempre
a adaptação é rápida, diz o operador
de telemarketing Rogério Fernandes. Isso porque as empresas
precisam se estruturar para receber os profissionais portadores
de deficiência:
"Existem
duas barreiras a ultrapassar: a psicológica e física".
Rampas, portas
e corredores com mais de 80 centímetros de largura, banheiros
próprios, e ambulatórios costumam resolver parte dos
problemas. Mas há quem monte uma estrutura de trabalho na
casa do profissional. Foi o que fez o Investshop na casa da consultora
Luciana Cooutinho.
"Apesar
da distância, eu me sinto bem ligada à empresa. Meu
trabalho é todo monitorado e avaliado".
Oportunidades
Formação: Boa parte das vagas disponíveis
para deficientes fica concentrado no atendimento ao cliente. Em
todo o caso, formação será sempre exigida.
BED:
O Balcão de Emprego de Deficientes (BED) cadastra portadores
de deficiência física. É preciso comparecer
a um dos postos BED (um deles fica na Rua São José,
35, loja M, Centro com carteira de trabalho e identidade. Outras
informações (0xx21) 299-1056.
Andef:
A Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos
(Andef) tem parcerias com diversas empresas. Para se inscrever no
banco de dados da entidade, basta ligar para (0xx21) 711-9912. Informações:
www.andef.com.br
Gelre:
A Gelre, empresa de recrutamento e seleção, oferece
206 vagas a profissionais deficientes, em São Paulo. As oportunidades
são para pessoas de todas as formações com
conhecimentos em informática. Informações:
www.gelre.com.br
O que diz
a lei: A Lei de Reserva de Vagas estabelece que empresas com
até 200 empregados devem preencher 2% de suas vagas com deficientes
físicos; de 201 a 500, 3%; de 501 a mil, 5%.
Concurso:
Instituições públicas têm em seus quadros
de vagas para portadores de deficiência. Interessados devem
ficar atentos a editais (IBGE, Secretaria estadual de Educação,
Polícia Civil, Banco Central, agência reguladoras etc).
Nas empresas
Preparando
a equipe: Antes de receber os portadores de deficiência,
consultores dizem que é preciso preparar a equipe. Isso porque
ainda é comum que os funcionários encarem com pouca
naturalidade seus trabalhos. Palestrar e bate-papos costumam esclarecer
dúvidas e evitar futuros constrangimentos.
Adaptações:
As empresas precisam se adaptar para receber profissionais deficientes.
É o caso de instalar rampas, portas e corredores com mais
de 80 centímetros de largura, banheiros próprios e
ambulatórios. Há opção de trabalhar
em casa.
Dia-a-Dia:
Algumas vezes, o deficiente preocupa-se em provar que é capaz
de executar determinada tarefa. E há quem se esconda na deficiência
para justificar erros. As empresas reprovam as duas posturas: o
empregado deve ser avaliado de acordo com sua competência
e sem regalias.
(O Globo)
Reabilitação
com leitura do cérebro
A técnica não
é milagrosa, mas tem ajudado muita gente a tratar a dor, o estresse e a
paralisia decorrente de lesões cerebrais ou na medula. O biofeedback é
um método que traduz na tela de um computador, por meio de sensores, os
sinais enviados pelo cérebro para contrair ou movimentar determinado músculo.
Criado há mais de meio século, o método ainda é pouco
difundido, especialmente no Brasil, mas vem sendo testado e aplicado em diferentes
tratamentos.
No campo da reabilitação,
o precursor do uso do biofeedback é o psicólogo americano Bernard
Brucker, do Jackson Memorial Medical Hospital, em Miami, para onde o cantor Herbert
Vianna pode ser encaminhado, segundo seu médico, o neurocirurgião
Paulo Niemeyer. A primeira filial do laboratório de Brucker fora dos EUA
foi inaugurada em São Paulo, há cerca de quatro anos, na Uni Sant'Anna.
"Aliado à fisioterapia,
o biofeedback aumenta a possibilidade de movimentos, dando mais independência
aos pacientes", afirma a fisioterapeuta Christiane Cavalcante Abreu, coordenadora
da unidade. O monitoramento permite que o paciente tome consciência da quantidade
de sinais necessária para mover um grupo muscular. Segundo a fisioterapeuta,
os pacientes têm tido progressos importantes, como manter-se ereto, sair
da cadeira de rodas sozinho ou abandonar o respirador.
Para o judoca Cleber Morete,
que ficou tetraplégico após se acidentar numa competição,
em 1997, o biofeedback trouxe resultados surpreendentes. Ele recuperou boa parte
dos movimentos dos braços e das pernas e, atualmente, vai sozinho - num
carro com câmbio automático - para o trabalho. "Quando comecei
o tratamento, nem pensava em voltar a dirigir", diz o judoca, que vai ao
centro de 15 em 15 dias. "Nem todos evoluem da mesma forma, mas 100% dos
pacientes têm algum progresso", garante a fisioterapeuta.
O ex-locutor Osmar Santos
e o ator Christopher Reeve, por exemplo, desistiram do biofeedback. Os resultados
variam, de acordo com ela, devido a diversos fatores, entre eles o local e o impacto
da lesão. No caso de Morete, a nuca estava perto do tatame quando ocorreu
o acidente. Lesões cerebrais que afetam funções cognitivas
também são mais difíceis de tratar, já que a técnica
exige muita concentração. O exercício, aliás, chega
a ser estressante para esses pacientes, por isso as sessões ocorrem no
máximo uma vez por semana.
Uma tese de mestrado defendida
no início deste ano pela fisioterapeuta Karina Fonseca na Universidade
Federal de São Paulo também mostrou que o biofeedback pode auxiliar
pacientes que sofrem de dor lombar, ou lombalgia. No grupo que foi submetido à
terapia, 70% apresentaram melhora. No outro, tratado somente com analgésicos,
o resultado foi positivo em apenas 30% dos casos. "Com a técnica,
o paciente aprende a relaxar, o que diminui a dor", explica o orientador
da tese, o reumatologista Jamil Natour.
A psicóloga Ana Maria
Rossi, do International Stress Management Association, utiliza o biofeedback para
tratar o estresse, baseada no mesmo princípio. Segundo ela, que vem pesquisando
o assunto desde a década de 70, é possível até controlar
a freqüência cardíaca e a pressão arterial com a técnica.
"É a nossa versão do autoconhecimento tão difundido
pelos orientais", brinca.
(Valor)
Um
meio de inclusão para o deficiente
Assim como a
maioria das áreas de conhecimento da humanidade, a arte sofreu
e promoveu no último século um volume de rupturas
e mudanças nunca antes observado na história. No entanto,
enquanto a evolução de muitas ciências direcionou-se
para o desenvolvimento de leis e modelos cada vez mais específicos,
precisos e controláveis, a arte não só deu
continuidade como intensificou sua vocação pela busca
do desprendimento das normas e padrões pregados pela antiga
academia.
Para trazermos
tal reflexão ao nosso cotidiano, basta compararmos o ofício
de um analista financeiro preparando um relatório dos resultados
de uma empresa, ou de um bacteriologista avaliando a melhor composição
de antibióticos a ser receitada para seu paciente, com a
atividade de um artista construindo uma instalação
a ser exposta na Bienal de Veneza. Apesar da competência de
ambos estar associada a aspectos comuns, como conhecimento técnico,
raciocínio lógico, capacidade analítica e bom
senso, não há dúvida de que a liberdade de
ação e as possibilidades de criação
são mais amplas para o artista.
Da mesma forma,
a abertura e a tolerância pelo "diferente" estão
mais presentes nas expectativas do público freqüentador
de mostras do que no conselho de acionistas da empresa ou na família
do paciente.
Muito se tem
ouvido a expressão "inclusão social" nos
debates e projetos destinados à melhoria das condições
de vida de pessoas portadoras de deficiência. Trata-se de
uma filosofia adotada pela Unesco que defende o convívio
das pessoas deficientes com o restante da sociedade (seja qual for
o ambiente - escola, trabalho, lazer) e a participação
de ambas no processo de eliminação de barreiras arquitetônicas
e atitudinais como formas de se conquistar a igualdade de oportunidades
e a plena cidadania dessa minoria.
Em outras palavras,
acredita-se hoje que o preconceito existente é fruto da desinformação
de muitos. Para eliminá-lo, devemos abandonar modelos simplistas
como o da "escola especial" ou da oficina abrigada de
trabalho, defensores de espaços exclusivos para pessoas deficientes,
e promover a todo custo a convivência dessas com as pessoas
comuns, suportada por programas de preparação de ambas
as partes.
Ao pensarmos
no fazer artístico e suas peculiaridades, podemos rapidamente
identificar duas conexões com a causa inclusivista. Primeiramente,
seu desprendimento do rigor quanto a paradigmas pré-estabelecidos
comentado anteriormente, abre portas àqueles cujo desempenho
motor é comprometido por algum tipo de limitação
corporal. Para produzir uma obra de arte de qualidade, o artista
não depende, necessariamente, de um traço ou de uma
pincelada tão precisos e lineares como os de um projetista
industrial. Existe espaço para o gestual, o aparentemente
impreciso.
Em segundo lugar,
o campo das artes pressupõe a exposição, a
relação direta entre o artista e seu público.
Ao incentivarmos iniciativas artísticas acessíveis
a potenciais protagonistas portadores de alguma deficiência,
estamos também colaborando para a disseminação
de algumas das condições que, como vimos, dão
sustentação a qualquer pretensão de se incluir
a pessoa deficiente na sociedade.
Há dez
anos, ao ter idealizado a Associação Rodrigo Mendes,
certamente não tinha ainda o entendimento exposto acima sobre
a relação entre a arte e a deficiência. Estava
decidido a retribuir de alguma forma todo tipo de ajuda que recebi
durante o período de reabilitação pelo qual
passei após ter ficado tetraplégico. A forma que encontrei
foi tentar oferecer a outras pessoas a mesma oportunidade que tive
ao aceitar o convite de um artista interessado em me dar aulas de
pintura. O contato com a arte foi de tal importância para
a manutenção de minha auto-estima, que me fez vislumbrar
a reprodução de uma vivência particular a um
universo mais amplo.
As dificuldades
enfrentadas no início do projeto me motivaram a estudar administração
de empresas e a buscar uma condição organizacional
que sustentasse o desenvolvimento da associação. O
contato com o ambiente acadêmico não só colaborou
para o amadurecimento da instituição, como gerou uma
série de oportunidades e relacionamentos que permitiram a
superação de todo tipo de obstáculo encontrado
por uma iniciativa social carente de financiamentos minimamente
estáveis e representativos.
Dos 80 alunos
atendidos hoje pela associação, envolvendo pessoas
comuns e pessoas portadoras de variados tipos de deficiência,
85% recebem bolsa de estudo (parcial ou integral). Os cursos são
complementados por atividades externas ao ambiente de sala de aula,
como visitas a espaços culturais, oficinas e exposições
dos trabalhos produzidos pelos alunos. Além de doações
de pessoas físicas e jurídicas, como a Vitae e o Instituto
C & A, o financiamento das atividades é atualmente viabilizado
por empresas que se interessam em patrocinar turmas de alunos, tendo
com benefício o incentivo fiscal propiciado pelo Ministério
da Cultura, por meio da Lei Roaunet, como é o caso das empresas
Volkswagen e da Hedging Griffo.
Outra importante
forma de receita tem sido a comercialização de direitos
autorais de pinturas de alunos, representada por uma parceria estabelecida
há quatro anos com a Tilibra, que comercializa e distribui
por todo Brasil uma linha de cadernos universitários cujas
capas são estampadas com tais trabalhos.
A associação
pretende chegar ao patamar de 200 alunos nos próximos dois
anos e, para isso, busca ampliar suas parcerias com empresas interessadas
em investir na cultura do país. Além de prêmios
e da credibilidade conquistados ao longo desses anos, seu maior
apelo são histórias de vida que se transformaram após
terem passado pela associação e que testemunham a
eficiência da arte como meio de inclusão social da
pessoa portadora de deficiência.
Rodrigo Mendes
é presidente da Associação Rodrigo Mendes
(Valor)
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