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Lei de cotas para pessoas com deficiência
começa a mostrar resultados
Cinco
anos depois de aprovada a lei que estabelece uma cota de pessoas
com deficiência nas empresas, o mercado começa a modificar
sua visão sobre o tema. “A lei ainda causa controvérsia,
mas o fato é que as empresas já começam a enxergar
o profissional além de sua limitação”,
afirma Maria de Fátima e Silva, gerente da Divisão
de Inclusão Social da Gelre, empresa especializada em recolocação
profissional.
Segundo ela,
desde que foi aprovada a lei, houve um aumento na quantidade de
vagas em aberto por parte das empresas. O fato ainda é resultado
da multa estabelecida para as empresas que não cumprirem
a lei. “No entanto, a obrigatoriedade acabou fazendo com que
as pessoas com deficiência pudessem mostrar suas habilidades,
algo que não acontecia”, diz
Maria de Fátima
alega que, apesar disso, ainda há dificuldade em encontrar
profissionais qualificados. “Isso é resultado de uma
exclusão social que faz parte da nossa cultura há
muito tempo. O deficiente, muitas vezes, é excluído
do aprendizado escolar desde a sua infância”, diz Maria
de Fátima. “Além disso, o desemprego que sempre
ocorreu no segmento fez com que poucos conseguissem, por exemplo,
entrar em uma faculdade”.
Para Guilherme
Lyra, presidente da organização sem fins lucrativos
Acessibilidade Brasil, que cria ferramentas de acesso à tecnologia
para pessoas com deficiência, o problema da falta de qualificação
traz prejuízos maiores do que se imagina. “Por ter
que preencher a cota, a empresa acaba contratando alguém
que não está preparado para o cargo e aumenta o preconceito
de que o portador de deficiência é incapaz”,
diz.
Para ele, isso
resulta na contratação de pessoas com deficiência
para cargos inferiores, com salários mais baixos. “Sendo
feito dessa forma, a lei de cotas torna-se assistencialista e não
agrega em nada”, diz Lyra. Maria de Fátima, porém,
afirma que as vagas abertas pelas empresas estão bem distribuídas
entre cargos operacionais e cargos que necessitam de mais qualificação,
não havendo essa diferença.
Lyra destaca
também que muitas vezes, essas vagas são preenchidas
por pessoas que possuem alguma limitação física,
como cadeirantes, mas raramente são preenchidas por pessoas
com deficiência auditiva, visual ou mental. “É
preciso haver uma maior atenção com esse público,
pois a dificuldade com a linguagem acaba afastando-os do mercado,
criando mais uma exclusão”, diz.
Na visão
de Lyra, o ideal seria que todas as vagas, em qualquer empresa,
pudessem ser disputadas por pessoas com deficiência, sem que
houvesse qualquer distinção. “É preciso
criar essa cultura, para que as pessoas com deficiência sintam
a necessidade de buscar qualificação e tenham condições
de disputar um lugar como qualquer pessoa”, diz. “Para
isso, é preciso investir na inclusão social como um
todo, nas escolas, nas empresas, na sociedade”, conclui.
(Cassia
Gisele Ribeiro – 29/01/03)
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