Educação especial não é tratada com seriedade, afirma especialista

A educação especial não é tão especial assim. O trocadilho resume as críticas feitas pela professora Rosângela Pietro, da Faculdade de Educação da USP, durante a palestra "Educação Especial", na 3º Semana de Educação.

Segundo ela, os últimos dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) mostram que dos 5.507 municípios brasileiros, apenas 59,1% oferecem algum tipo de educação especial. Some-se a isso a grande diferença regional entre os municípios que oferecem atendimento para os alunos que necessitam desse tipo de ensino. Enquanto 80,9% dos municípios da região sul do país possuem serviços educacionais especiais, sendo o Paraná o estado que tem maior concentração - com 91,2% -, mais de 63% dos municípios nordestinos não oferecem nenhum tipo de atendimento.

O Inep revela ainda que em 1999, apenas 1,83% desses estudantes tinham atendimento efetivo. "Eles não estão excluídos apenas do ensino regular, mas de todo o ensino", disse Rosângela. De acordo com professora, sequer há registro de matrículas no ensino superior. O máximo que um aluno com necessidades especiais consegue chegar é até o ensino médio. De 195.515 alunos matriculados no ensino fundamental, em 1999, apenas 3.190 chegaram ao ensino médio.

"É hilariante, pois há um descompasso entre o discurso do governo e o que realmente acontece quando se observa o número de matrículas efetuadas. Mais de 47% diz respeito à rede particular", afirmou Rosângela.

Para a palestrante, problemas como a falta de professores qualificados, a escassez de oferta de serviços educacionais e escolas sem infra-estrutura para receber os alunos só serão resolvidos quando houver um planejamento político baseado em fatos reais. "Eu acredito que para conseguir superar todas essas dificuldades e oferecer um ensino descente não basta saber quantos alunos existem, mas sim onde eles estão, onde eles estudam e quais as suas principais necessidades".

Rosângela disse ainda que o planejamento político deve incluir um mapeamento que permita saber quais são os tipos de atendimentos que determinado município possui e quais são as condições físicas de cada escola.

(Marina Rosenfeld - 24/05/02)