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Estatuto para pessoas com deficiência
divide especialistas
Cássia
Gisele Ribeiro
Quatro
projetos de lei que visam criar um estatuto de defesa dos direitos
para as pessoas com deficiência mobilizam a sociedade numa
discussão sobre a validade dos códigos. O mais conhecido
deles, de autoria do ex-deputado Paulo Paim (PT-RS), propõe
o Estatuto dos Portadores de Necessidades Especiais. Ativistas e
especialistas reclamam da falta de discussões sobre o projeto
pelos supostos beneficiários da medida e apontam inúmeras
falhas no texto original.
“O Estatuto
das Pessoas com Deficiência é, sem dúvida, essencial
para a consolidação dos direitos dessa população.
No entanto, é preciso que ele seja pensado por esse público
e não que seja imposto, sem discussões”, afirma
Ana Maria Barbosa, coordenadora de comunicação da
Rede Saci, uma rede eletrônica que difunde informações
sobre deficiência.
A maior crítica
ao documento é que este foi criado partindo de um paradigma
já ultrapassado de integração, no qual a pessoa
com deficiência deve fazer tudo para se ajustar à sociedade.
Atualmente, o Brasil começou a assimilar um novo conceito:
o da inclusão, onde ambas as partes trabalham para promover
a inserção social.
Renato Laurenti,
jornalista e consultor em acessibilidade do programa USP Legal,
critica até mesmo o título do estatuto. “Hoje
em dia a palavra ‘portador’ está em desuso”,
afirma. Segundo ele, que se locomove numa cadeira de rodas desde
os 22 anos quando sofreu um acidente de carro, a linguagem inclusiva
atual prefere o termo ‘pessoas com deficiência’.
O principal
perigo da aprovação do estatuto como está hoje,
segundo a coordenadora da Saci, é que há vários
direitos já conquistados pela população com
deficiência que não estão inclusos no documento.
“Dessa forma, as pessoas com deficiência podem perder
uma série de direitos já conquistados”. Ela
acredita ser válida toda tentativa de agrupar os direitos
das pessoas com deficiência em documentos específicos
como o estatuto.
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